
Os estádios de Brasília, Cuiabá, Manaus e Natal são considerados potenciais "elefantes brancos" para o Tribunal de Contas da União (TCU).
Auditoria feita pelo órgão divulgada neste mês considera que as praças esportivas dessas quatro cidades correm grande risco de serem pouco utilizadas depois da Copa e podem não gerar lucro para repor o investimento.
Juntas as quatro arenas vão custar R$ 2,1 bilhões e terão capacidade para 203 mil pessoas, segundo dados do Portal da Transparência. Os números se contrapõem à realidade do futebol nesses locais. De acordo com estudo realizado este ano pela Pluri Consultoria, os campeonatos do Distrito Federal, Mato Grosso, Amazonas e Rio Grande do Norte não estão entre os dez mais valorizados do país. Até mesmo o público em partidas decisivas fica longe de conseguir lotar as futuras arenas para a Copa.
"Essas sedes não tem futebol forte. Teriam de empregar R$ 250 milhões a R$ 300 milhões no máximo em um estádio. O valor é praticamente o dobro disso", diz o diretor da área de esporte da consultoria BDO RCS, Amir Somoggi.
A empresa realizou estudos que comparam o custo por assento nas praças esportivas dos Mundiais anteriores. Para as edições da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, os valores foram respectivamente de R$ 7,1 mil e 8 mil. A reportagem levantou que para a Copa no Brasil esse valor será de R$ 9,8 mil. "Na Alemanha quase 70% do investimento em estádios foi privado e aqui nós invertemos a lógica", compara Somoggi.
A análise da consultoria indica que um estádio no valor de aproximadamente R$ 500 milhões, com a capacidade de R$ 50 mil pessoas, deve gerar um lucro médio de
R$ 9,1 milhões anualmente ao longo de 20 anos para repor os gastos. Mas a operação depende necessariamente da atração de público.



