
Joel Malucelli atendeu ao telefonema da Gazeta do Povo com um bom humor incomum para quem é o presidente do clube que se classificou na última colocação possível (oitavo) na primeira fase do estadual, o Corinthians Paranaense. "Olha, com sinceridade, para nós não é um mal negócio jogar todas as partidas do octogonal fora de casa", diz.
Enquanto isso, a 500 quilômetros de Curitiba, Nivaldo Mazzin, o mandatário do Paranavaí, de quem se esperava mais otimismo, estava bem menos empolgado. Sexto colocado, o Vermelhinho terá direito a contar com o apoio de sua torcida em duas partidas, o que não parece suficiente. "Só espero não ter de desmantelar a equipe no meio da competição", lamenta.
São apenas dois anos em vigor, mas a fórmula equivocada redigida pela Federação Paranaense de Futebol, que ficou conhecida como supermando, parece ter o poder de surpreender mesmo quando já se imaginava prever tudo a seu respeito. Se no ano passado os problemas principais foram os prejuízos do "sem-mando", desta vez os desdobramentos da regra ganharam novas nuances. A reação do dirigente do time do Parque Barigui é uma delas.
Sem torcida, na maioria das partidas que atua em casa o Corinthians-PR fica com um déficit de R$ 7,5 mil no caixa. Já quando pega a estrada, o gasto é calculado em R$ 5 mil. A conta que resulta no sorriso de Joel é simples: multiplicar a diferença (R$ 2,5 mil) pelos sete jogos. O resultado é uma economia de R$ 17,5 mil.
"Como temos pouco público, as despesas com arbitragem e manutenção são grandes. Nunca conseguimos cobrir o custo", conta o dirigente.
Entre o Corinthians e o Paranavaí, a diferença na tabela da fase inicial foi de apenas duas posições. Mas financeiramente a diferença é assombrosa. São contas que começaram a ser feitas no ano passado, quando o time do interior esteve na mesma situação do clube da capital, sem poder jogar em casa.
Na época, o Paranavaí teve um prejuízo de R$ 130 mil. Agora, imaginava ao menos fechar a fase inicial com R$ 70 mil em caixa. Não chegou aos R$ 14 mil. E o que vem pela frente pode bater na casa dos R$ 120 mil.
"Nós deixaremos de ganhar e ainda vamos gastar", analisa Mazzin. Ele espera somar quatro pontos nos jogos contra Iraty, Paraná e Coritiba para empolgar o torcedor e tentar recuperar um pouco do prejuízo na quarta rodada, em casa, contra o Cascavel, que é o terceiro personagem desta história.
O time do Oeste do estado está exatamente em um posição intermediária entre os dois anteriores: foi o sétimo na etapa inicial e terá uma partida em casa pela frente na final. Sem obter a classificação no ano passado, o clube conseguiu se precaver para o atual campeonato. Guardou o dinheiro que perderia com uma classificação entre os piores e fez parcerias.
"Já sabíamos que seria assim, mas estamos preparados. Temos bons parceiros, por isso não pagamos pelo transporte, e em alguns lugares temos desconto na alimentação", diz Ney Victor, presidente da Serpente. "Nosso objetivo é ser o melhor time do interior e ganhar o prêmio de R$ 50 mil."



