
O Couto Pereira irá monopolizar as atenções na abertura da segunda rodada do Campeonato Paranaense. Praticamente imbatível dentro de casa, o Coritiba coloca a força de seu estádio à prova contra o Corinthians-PR, às 19h30. O jogo, porém, será apenas o segundo ato do protagonismo da praça esportiva alviverde nesta quarta-feira. Meia hora antes de o atual bicampeão estadual entrar em campo, o próprio Alto da Glória é quem estará em disputa no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR). A promessa é de, na esfera da Justiça local, se chegar a uma definição sobre a tentativa da Federação Paranaense de Futebol (FPF) de forçar o empréstimo do lar coxa-branca ao Atlético.
Dentro do gramado, o Couto Pereira vem sendo decisivo para o Coritiba desde o ano passado, quando Marcelo Oliveira assumiu o comando do time. No Estadual, a equipe não perdeu nem um ponto sequer nos seus domínios, atingindo invejáveis 100% de aproveitamento. Mesmo no Brasileiro, contra oponentes mais fortes, o retrospecto foi animador: 75,43% dos pontos conquistados. Número que contrasta com os modestos 24,56% ganhos como visitante.
A matemática perfeita no Estadual 2011, entretanto, é encarada por Marcelo Oliveira como um desafio, e não como uma vantagem. "Eu sempre falo para os jogadores que nós não podemos chegar com um cartão com o aproveitamento do ano passado e apresentar para o Corinthians-PR porque eles não vão aceitar", ironiza. "Nós pretendemos repetir [o desempenho] dentro do Couto Pereira até pela aliança que temos com a torcida, o que é muito importante e acaba empurrando o time", completa.
Mas para que esse rendimento ocorra no Alto da Glória, os dirigentes do Coritiba defendem que o rival Atlético não poderia utilizar o campo para mandar seus jogos, pois prejudicaria o gramado. Em 2011, contando o Nacional, o Paranaense e a Copa do Brasil, o Coxa disputou 36 jogos no seu estádio. "Gostaria que só nós jogássemos [no Couto] porque o gramado já não está tão bom e iria desgastá-lo ainda mais", opina Oliveira, destacando que a decisão cabe à diretoria. "O Coritiba tem um time de bom toque de bola e ter jogos no Couto Pereira repetidamente poderia nos prejudicar na sequência", completa.
Os jogadores alviverdes seguem a mesma linha. "Que eu saiba o Couto é do Coritiba. Então, fazer o quê? Se é do Coritiba, é do Coritiba", resume o volante Davi, ressaltando que os atletas não interferem nessa decisão, mas deixando claro o posicionamento do elenco. "É claro que é melhor que eles não joguem aqui. Deixa com a direção que ela sabe o que faz", concorda o lateral-direito Jackson.
Independentemente do resultado do julgamento hoje, o assunto ainda deve render, já que os dois lados podem recorrer ao STJD. Com isso, a tendência é que o jogo desta noite novamente seja marcado por protestos da torcida, como já ocorreu em Toledo, quando uma faixa criticava a FPF e o Atlético. Enquanto isso, a bola rola.



