Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Brasileiro

Coritiba paga ‘empréstimo’ com rendas

O borderô da partida contra o Corinthians, no dia 16, trouxe à tona um débito do Coritiba no valor de cerca de R$ 1,62 milhão. O valor seria referente a uma venda antecipada de ingressos feita pelo clube à BWA (empresa que fornece a tecnologia, catracas e os insumos para a fabricação dos bilhetes eletrônicos) em novembro de 2008. Desde então, um determinado valor está sendo descontado em quase todas as partidas do clube realizadas no Couto Pereira. A operação só foi no­­tada no jogo contra o Timão, pois o repasse foi maior do que o normal.

O confronto teve o maior pú­­blico do ano no estado. Pelo do­­cumento enviado à CBF, 32.744 pessoas pagaram ingresso, o que foi revertido em uma renda bruta de R$ 659.835. Contudo, mais de um terço deste montante foi para a BWA: R$ 240.426,45, o equivalente a 36,4% do total. Ques­tionado sobre os números, ontem o Alviverde explicou o ocorrido.

"É como se fizéssemos um adiantamento do dinheiro da te­­levisão", explicou o diretor fi­­nan­­ceiro do clube, Francisco Araú­­jo. O valor exato da operação consta no balancete do Coxa: R$ 1,57 milhão recebido, R$ 1,62 milhão a pagar – juros de cerca de 3%. O Coritiba afirma que deve sanar a dívida com os sete jogos no Couto que ainda restam no Nacional. "Já está quase no fim", disse.

Até aqui, todos os repasses (em média 17% da renda bruta) que constam nos borderôs do Alvi­­verde no Es­­ta­­dual, Copa do Brasil e Cam­­peo­­nato Bra­­sileiro so­­mam cerca de R$ 1,4 mi­­lhão. Nesse total, entretanto, tam­­bém está in­­cluído uma parcela relativa aos serviços prestados ao clube – aluguel das catracas, confecção de ingressos, pessoal, etc.

A "venda antecipada" seria algo normal entre os clubes brasileiros que têm a BWA como parceira. A vantagem do negócio, embora com taxas semelhantes a um empréstimo bancário, seria a forma de pagamento. "Se fizéssemos um empréstimo no banco, teríamos de pagar mensalmente um determinado valor. A BWA só recebe quando o jo­­go dá lucro", explica o gerente administrativo financeiro do clube, Walter Al­­ves. "O dinheiro é de um fundo ad­­ministrado por um banco alemão. Eu sou apenas o avalista dos clubes. Ajudo para que eles não morram, pois senão morro junto", afirma Walter Balsinelli, diretor da BWA.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.