Atualizado em 27/11/2006 às 19h23
Um infarto do miocárdio foi a causa da morte do corredor Raimundo Rodrigues Sobrinho, de 57 anos, que veio de Apucarana, região Norte do Paraná, para participar da 10.ª edição da Maratona de Curitiba, realizada neste domingo. O maratonista passou mal no quilômetro 39 da prova (que contou com um total de 42.195 metros), em frente ao Passeio Público, e acabou morrendo pouco depois.
O incidente ocorreu por volta das 12h de domingo, quando chovia na capital paranaense. Segundo o diretor-médico da prova, Mateus Chomatas, que também é diretor geral do sistema municipal de urgências, o atendimento ao atleta ocorreu com menos de um minutos após o infarto. "Uma equipe do Siate que fica previamente naquele ponto da corrida atendeu o maratonista rapidamente, depois uma viatura do Samu chegou para dar apoio, mas o quadro era muito grave", contou Chomatas.
Ainda segundo o diretor-médico, o infarto fulminante sofrido por Raimundo naquele ponto da prova foi semelhante ao sofrido pelo zagueiro Serginho, do São Caetano, em 2005, e poderia ter sido evitado. "Alguns companheiro da equipe dele (a Pé Vermelho), que também vieram disputar a prova, comentaram no local que ele havia parado no quilômetro 32, logo após ter sentido dores no peito e nas costas. Entretanto, ele apenas aguardou alguns minutos, se alongou, e continuou na prova. Acabou não prestando a devida atenção aos sinais dados pelo próprio corpo. Foi uma fatalidade", explicou.
O rápido atendimento prestado pelos médicos do Siate e do Samu pouco adiantou. O infarto, causado por um quadro de coronarioesclerose (dilatação do coração e das artérias coronárias, que bombeiam sangue para todo o corpo) provavelmente já vinha de uma hipertensão que Raimundo deveria sofrer. Um desfibrilador também foi usado no atendimento, porém a morte foi declarada minutos após o maratonista ter dado entrada no Hospital Evangélico, às 12h55.
Para o médico da prova, clinicamente o atleta de Apucarana não estava apto a correr. "O quadro que ele apresentou é difícil de ser diagnosticado previamente, mas se o corredor tivesse abortado a sua participação na maratona assim que sentiu as dores, talvez sofresse o infarto, mas não de forma tão grave. Poderíamos tê-lo salvo", comentou Chomatas.
Enterro
O Instituto Médico Legal (IML) liberou o corpo de Raimundo Rodrigues Sobrinho às 21h30 de domingo. Em seguida, o mesmo foi transladado para Apucarana. Todos os gastos foram pagos pela Prefeitura de Curitiba. O sepultamento do maratonista aconteceu às 17h desta segunda-feira.
Entre os familiares, o clima era de tristeza e conformação com a tragédia. Segundo Francisclei Rodrigues, filho do atleta e o único que concordou em falar com a reportagem, o pai corria diariamente e fazia exames com freqüência. Ninguém da equipe Pé Vermelho quis se pronunciar.
Prevenção é a melhor arma contra fatalidades como essa
Para o médico Mateus Chomatas, essa fatalidade serve como lição, apesar de ter podido ser evitá-la. O conselho é que qualquer pessoa, atleta ou não, sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer atividade física.
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