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Brasileiro

Crise atleticana bate à porta do CT do Caju

Integrantes da facção Os Fanáticos invadem o centro de treinamentos para protestar. “Se for necessário, atitudes mais enérgicas serão tomadas”, avisa a organizada

A PM foi acionada para conter a fúria da torcida, que colocou faixas de protesto no CT. Grupo com seis torcedores foi autorizado a conversar com os jogadores e o técnico Adilson Batista | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
A PM foi acionada para conter a fúria da torcida, que colocou faixas de protesto no CT. Grupo com seis torcedores foi autorizado a conversar com os jogadores e o técnico Adilson Batista (Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo)
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A crise atleticana entrou ontem sem pedir licença no CT do Caju. Cerca de 30 torcedores da organizada Os Fanáticos invadiram o local para reclamar da situação rubro-negra no Brasileiro, exigindo uma reação imediata – o time é o penúltimo colocado com apenas um ponto conquistado.

A Polícia Militar chegou a ser acionada, mas não precisou agir, já que a situação foi contornada pelo gerente de futebol, Paulo Rink, ex-atacante e um dos principais ídolos da história do clube. "Depois que nós deparamos com os torcedores já aqui dentro do CT, eu e o [coordenador do departamento de futebol, Luís Fer­­nando] Cordeiro administramos a situação para evitar qualquer tipo de confronto e de dano ao patrimônio", afirmou.

Mais calmos após a conversa com o dirigente, os torcedores optaram por um protesto pacífico. Penduraram duas faixas com os dizeres "Time sem-vergonha" e "Queremos jogador" e, convencidos por Rink, deixaram o local cinco minutos depois. Uma co­­missão com seis fãs, porém, foi autorizada pela diretoria a conversar com os jogadores e também com o técnico Adilson Batista.

"Viemos pedir mais raça, mais vontade dos jogadores, que honrem a camisa do Atlé­­tico", afirmou o promotor de vendas Rafael Augusto, de 25 anos, que esperava do lado de fora enquanto o colegiado cobrava o elenco. "Todas as contratações que foram feitas resultaram em um gol em cinco jogos. Pura vergonha. Agora todo mundo vem aqui na Baixa­­da sem medo. Virou salão de festa", emendou ele. Os integrantes da comissão saíram sem dar entrevistas. Em nota oficial, publicada no site da uniformizada, a torcida Os Fanáticos afirmou que "fazemos protesto no momento e da ma­­neira que julgarmos me­­lhor". A organizada ressaltou ainda que não foi usada a violência, sendo apenas uma "conversa de homem, olho no olho". "Se for necessário to­­mar atitudes mais enérgicas, elas serão tomadas", garantiu a nota, esquentando o clima para a partida contra o Bahia, sábado, às 18h30, na Arena.

Após passar pelo mesmo problema no Palmeiras, em 2000, como jogador, e no Corinthians, em 2010, já na função de treinador, Adilson Batista preferiu contemporizar. "Isso é coisa do futebol", disse ele. "Ninguém pediu a minha saída. Eu conversei com o torcedor, expliquei, escutei. Isso já fiz no Cruzeiro, no Corinthians... Às vezes o clube passa por momentos difíceis e eles estão preocupados, assim como a gente", ressaltou.

Apesar do tom conciliatório adotado em boa parte do discurso, o técnico não esqueceu dos aspectos negativos que podem resultar do protesto. "A partir do momento que começa a cobrar sobre este ou aquele jogador, gera uma certa insegurança. Já vivenciamos isso".

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