
A crise atleticana entrou ontem sem pedir licença no CT do Caju. Cerca de 30 torcedores da organizada Os Fanáticos invadiram o local para reclamar da situação rubro-negra no Brasileiro, exigindo uma reação imediata o time é o penúltimo colocado com apenas um ponto conquistado.
A Polícia Militar chegou a ser acionada, mas não precisou agir, já que a situação foi contornada pelo gerente de futebol, Paulo Rink, ex-atacante e um dos principais ídolos da história do clube. "Depois que nós deparamos com os torcedores já aqui dentro do CT, eu e o [coordenador do departamento de futebol, Luís Fernando] Cordeiro administramos a situação para evitar qualquer tipo de confronto e de dano ao patrimônio", afirmou.
Mais calmos após a conversa com o dirigente, os torcedores optaram por um protesto pacífico. Penduraram duas faixas com os dizeres "Time sem-vergonha" e "Queremos jogador" e, convencidos por Rink, deixaram o local cinco minutos depois. Uma comissão com seis fãs, porém, foi autorizada pela diretoria a conversar com os jogadores e também com o técnico Adilson Batista.
"Viemos pedir mais raça, mais vontade dos jogadores, que honrem a camisa do Atlético", afirmou o promotor de vendas Rafael Augusto, de 25 anos, que esperava do lado de fora enquanto o colegiado cobrava o elenco. "Todas as contratações que foram feitas resultaram em um gol em cinco jogos. Pura vergonha. Agora todo mundo vem aqui na Baixada sem medo. Virou salão de festa", emendou ele. Os integrantes da comissão saíram sem dar entrevistas. Em nota oficial, publicada no site da uniformizada, a torcida Os Fanáticos afirmou que "fazemos protesto no momento e da maneira que julgarmos melhor". A organizada ressaltou ainda que não foi usada a violência, sendo apenas uma "conversa de homem, olho no olho". "Se for necessário tomar atitudes mais enérgicas, elas serão tomadas", garantiu a nota, esquentando o clima para a partida contra o Bahia, sábado, às 18h30, na Arena.
Após passar pelo mesmo problema no Palmeiras, em 2000, como jogador, e no Corinthians, em 2010, já na função de treinador, Adilson Batista preferiu contemporizar. "Isso é coisa do futebol", disse ele. "Ninguém pediu a minha saída. Eu conversei com o torcedor, expliquei, escutei. Isso já fiz no Cruzeiro, no Corinthians... Às vezes o clube passa por momentos difíceis e eles estão preocupados, assim como a gente", ressaltou.
Apesar do tom conciliatório adotado em boa parte do discurso, o técnico não esqueceu dos aspectos negativos que podem resultar do protesto. "A partir do momento que começa a cobrar sobre este ou aquele jogador, gera uma certa insegurança. Já vivenciamos isso".




