• Carregando...

Em campo, na quadra ou na rua, atletas profissionais ou de ocasião sentem a pressão por resultados e criam metas. Alcan­­çá-las ou superá-las, porém, depende de uma conjunção de fatores. Além da boa preparação física e do contínuo desenvolvimento técnico, o equilíbrio e­­mo­­cional é outro componente de peso. Mui­­tas vezes desprezado, ele pode fazer a diferença, para o bem ou para o mal.

É essa preocupação com o fator psicológico do atleta a fonte de discussão, entre hoje e o dia 21, do XVI Congresso Brasileiro e do VII Congresso In­­ter­­nacional de Psicologia do Es­­porte, na sede do câmpus I da PUCPR, em Curitiba. "Existe um conjunto de variáveis que vai além das habilidades físicas de um atleta: são fatores emocionais que podem prejudicar o desempenho, como a ansiedade, o estresse, a falta de concentração, um mau relacionamento com o técnico ou com a equipe", explica a psicóloga Márcia Wal­­ter, membro da Sociedade Bra­­sileira de Psicologia do Es­­porte e presidente do evento.

A psicóloga Flávia Justus, uma das palestrantes, trabalha há uma década no Coritiba – no período, já cuidou de revelações como Henrique e Keir­­rison. "Na base, o trabalho é focado para o coletivo, para a questão da identidade com o clube e também para o trabalho em situações de frustração. No profissional, a atuação é mais individual, mas os atletas já conhecem o trabalho e são sempre receptivos", adianta.

No entanto, nem sempre essa é a regra. No futebol, o sonho por grandes conquistas e por grandes cifras em dinheiro pode ser um empecilho para o desenvolvimento dos atletas. As mudanças na vida de um jogador costumam ser radicais e o preparo para enfrentá-las precisa começar cedo. "É difícil conquistar a confiança dos atletas adultos, por isso é muito mais indicado que o trabalho psicológico nas equipes comece nas categorias de base, quando não há a presença de fortunas em salários e assim o atleta está mais acessível e aberto a novas ideias e sugestões", observa João Ricardo Cozac, outro convidado para o debate, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Es­­porte e que nos últimos 10 anos trabalhou com Palmei­­ras, Goiás e Cruzeiro.

Para melhorar o rendimento de uma equipe, o profissional de psicologia precisa viver o dia a dia de jogos e os bastidores de treinos e vestiários, mas ainda tem de quebrar uma série de barreiras: "Existe o preconceito de achar que quem busca ajuda psicológica é louco e não é nada disso. No esporte trabalhamos com prevenção, ajudamos o atleta a se desenvolver", diz Márcia Walter.

Correr em busca de um psicólogo para livrar o time de uma crise é praxe no cenário brasileiro, mas Cozac repudia esse comportamento. "Mui­­tos treinadores e dirigentes não têm a percepção de que nosso trabalho é preventivo e olham apenas para o caráter emergencial. No futebol so­­mos muito lembrados quan­­do os times vão mal, mas um bom trabalho psicológico é feito em longo prazo, ainda na pré-temporada", observa. Só dessa forma é possível ga­­­rantir campeões com mente sã em corpo são.

Serviço:

O XVI Congresso Brasileiro e VII Congresso Internacional de Psicologia do Esporte ocorre de 18 a 21 de agosto na PUC-PR. Inscrições: www.crppr.org.br. Informações: 3013-5766. Abertura hoje, às 19 h com o tema: "O futuro da psicologia do esporte: novas visões e desafios".

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]