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Luta

Curitiba é rota de acesso ao lucrativo octógono do UFC

Com lutadores reconhecidos mundialmente e tradição na prática do muay thai, cidade atrai praticantes do MMA de outros estados

Maiquel Falcão, lutador de boxe que estreia no UFC 123, no sábado, nos EUA: gaúcho veio para Curitiba há dois anos em busca de um impulso para a carreira | Antonio More/Gazeta do Povo
Maiquel Falcão, lutador de boxe que estreia no UFC 123, no sábado, nos EUA: gaúcho veio para Curitiba há dois anos em busca de um impulso para a carreira (Foto: Antonio More/Gazeta do Povo)
O carioca Alexandre

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O carioca Alexandre

Dos seis cinturões disputados no Ultimate Fighting Cham­­pion­ship (UFC), a principal competição mundial de MMA (sigla para Mixed Martial Arts), três estão nas mãos de brasileiros. Destes, dois são de curitibanos: Ander­son Silva, no meio-médio, e Mau­­rí­cio Shogun, no meio pe­­sado.

Acrescente a essa conta que um dos mais respeitados lutadores de MMA – competição em que os atletas de diferentes lutas se enfrentam em um ringue de oito faces, o octógono – é outro curitibano, Wanderlei Silva. A fa­­ma desses lutadores, combinada à tradição da cidade na prática de muay thai (luta tailandesa em que cada golpe – chute, soco, joelhada, cotovelada – visa ao nocaute) tem atraído atletas de outros estados. Eles fazem da ca­­pital paranaense via de acesso obrigatória para entrar no maior e mais lucrativo evento de lutas do mundo, que chamou para si os holofotes – e as cifras – antes destinados ao boxe.

"Curitiba é um grande celeiro para o UFC por causa da agressividade da luta nas academias, do muay thai. O público sabe que, quando nossos atletas estão no octógono, vai ter show", diz o campeão Maurício Shogun, que este ano concorre a duas categorias do World MMA Awards, considerado o Oscar da modalidade: o de melhor nocaute do ano, no UFC 113, sobre o compatriota Lyo­­to Machida, e o de melhor lu­­tador, em que disputa o título com Anderson Silva, invicto há 13 combates.

Bons contatos nos bastidores do UFC são outro fator que atraem os lutadores à capital paranaense. "Vim pela tradição da academia Chute Boxe e pela parte em­­presarial", diz o ex-boxeador gaúcho Maiquel Falcão. Há dez anos, começou a lutar MMA por não conseguir rendimentos suficientes nos ringues de boxe. Há dois, trocou o Rio Grande do Sul pelo Paraná e, aos 29 anos e 33 lutas no MMA (29 vitórias), es­­treia no UFC 123, sábado, em Mi­­chigan, nos Estados Unidos.

Sua primeira luta no octógono, já no card principal, será contra o norte-americano Gerald Har­­ris. Só depois que assinou contrato com o UFC, há um mês conseguiu treinar sem se preocupar com o saldo bancário. Até en­­tão, vivia dos prêmios das lu­­tas somado aos trabalhos como segurança. O que quer é reconhe­cimento e lucro. E o UFC permite isso.

A rentabilidade do evento é crescente. Estima-se que em 2009 a competição gerou US$ 300 milhões só em venda de pay-per-view. Em sua última vitória, Anderson Silva embolsou US$ 200 mil.

Sábado passado foi a vez de o carioca Alexandre "Cacareco", 31 anos e veterano do MMA, fa­­zer sua estreia no octógono, na derrota para o bielorrusso Vla­­dimir Matyushenko nas preliminares do UFC 122, em Ober­­hau­sen, Alemanha. Foi com a vinda para Curitiba, para treinar na Chute Boxe, depois de uma carreira com muitas trocas de academias, que o lutador, oriundo da luta livre esportiva, conseguiu o tão desejado contrato com o UFC.

O fundador da academia, o empresário Rudimar Fedrigo, diz que a metodologia adotada pela Chute Boxe é que atrai tantos lutadores, profissionais e amadores, para a capital paranaense. Mas não esconde que o re­­la­­cionamento que construiu com os dirigentes do UFC, inclusive com Dana White, dono do evento, é um trunfo à parte. "Hoje é mais comum que eles en­­trem em contato comigo para saber quem eu tenho despontando do que eu ter de procurá-los", fala.

O empresário de estrelas do porte dos irmãos gêmeos baianos Rodrigo "Minotauro" e Ro­­gério "Minotouro", Fernando Flo­­res, reforça o coro de que Curi­­tiba é referência mundial para bons lutadores e afirma que o MMA poderia ter maior reconhecimento em solo brasileiro. "Sem sombra de dúvidas, falta apoio financeiro e mais espaço na mídia. No Brasil, o esporte ainda dá prejuízo."

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