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Pesquisa

Curitibano só quer saber de futebol

Levantamento mostra que a relação da cidade com os esportes é de distanciamento. Bola rolando nos gramados é a única exceção

O futebol é acompanhado de perto por 54% dos moradores da capital paranaense | Walter Alvez/Gazeta do Povo
O futebol é acompanhado de perto por 54% dos moradores da capital paranaense (Foto: Walter Alvez/Gazeta do Povo)
Neymar é o atleta com quem os curitibanos mais simpatizam, deixando para trás César Cielo e Giba |

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Neymar é o atleta com quem os curitibanos mais simpatizam, deixando para trás César Cielo e Giba

O curitibano tem uma relação estranha com o esporte. Ao todo, 63% da popula­­ção da cidade admitiu ser sedentária, ou seja, não pratica nenhuma modalidade esportiva. E mais. Um terço dos moradores (33%) afirmou dar de ombros para todas as modalidades, sem interesse algum em acompanhar jogos, lutas, corridas... em nenhum tipo de mídia.

O mesmo raciocínio vale para a Olimpíada de Londres, com abertura em 27 de julho. 74% dos entrevistados disseram que o desempenho do Bra­­­­sil não afeta ou afeta um pouco no sentimento de nacionalismo. Os números fazem parte de um levantamento exclusivo feito pelo instituto Paraná Pesquisas pa­­ra a Gazeta do Povo.

"A gente não tem a mesma paixão [em Olimpíada] que o futebol desperta em uma Copa do Mundo. Algumas com­­petições atraem interesse durante os Jogos, mas depende muito da tevê, o que acaba sendo mais diluí­do", explicou editor do site Má­­quina do Esporte, o jornalis­­ta Erich Beting.

A análise vai ao encontro com o que diz a pesquisa. Do pessoal que se interessa por esporte, mais da metade (54%) gosta de saber o que está acontecendo no fu­­tebol, especialmente com o seu clube do coração. "É uma tradição centenária no país inteiro. E tende a crescer mais com os clubes desco­­brindo como virar um produto atraente", ressaltou Beting.

As outras mo­­­­­­dalidades estão muito distantes do interesse que despertam Atlé­­ti­­co, Co­­ri­­ti­­ba, Pa­­­­raná e cia. É o caso do vôlei, que, mesmo ganhando espaço, atrai a atenção de 14% dos moradores.

E aí surge um elemento novo, as lutas, ocupando o terceiro lugar no pódio. Capitalizados pela expo­­sição recente das Artes Marciais Mis­­tas (MMA), os fãs do ringue somam 5%, fechando o pódio de preferência do curitibano (leia mais nesta página), seguido de perto pelo automobilismo.

Os carros de corrida, inclusive, são alvo de uma interessante contradição. Mesmo sendo relativamente popular na cidade, o interesse local sobre a Fórmula 1 – a principal categoria do automobilismo –, divide-se entre pequeno (46%) e razoável (38%). Mas Felipe Massa é o quinto atleta mais admirado.

"Eles até queriam gostar mais, mas falta um grande ídolo, como foi Ayrton Sen­­na. Talvez se a pesquisa fosse feita mais perto do fim da temporada, houvesse o interesse maior, pois o povo ainda tem os dois anos de domí­­nio da Red Bull na cabeça", afirmou Rodrigo França, colunista de Fórmula 1 da Ga­­zeta do Povo.

Em baixa, o basquete vê seu espaço minguar na cidade. Pouco mais de 1% afirma seguir a modalidade, a sétima na cidade. Tal decrés­­cimo tem como principal causa os tempos de crise, com o time masculino amargando um jejum de 16 anos sem jogar uma Olimpíada – marca que será quebrada em Londres.

"É uma realidade nacional. O basquete perdeu espa­­ço pela falta de resultados e pelas más administrações da confederação nos últimos 15 ou 20 anos. Até começou uma retomada, mas o tempo perdido não volta mais", explicou José Roberto Lux, o Zé Boquinha, comentarista da ESPN Brasil.

Interatividade

Quais os motivos que levam o curitibano a ser sedentário? E por que a população da cidade costuma desprezar outras modalidades esportivas, exceção ao futebol?

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