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Ginástica

Daiane alega que descuido ocasionou doping acidental

Brasileira concede entrevista, admite uso de substância irregular em tratamento estético, mas diz que não sabia da proibição

Daiane dos Santos exibe o documento enviado à Federação Internacional de Ginástica, em que relatou o uso da furosemida | Ayrton Vignola/Folha Imagem
Daiane dos Santos exibe o documento enviado à Federação Internacional de Ginástica, em que relatou o uso da furosemida (Foto: Ayrton Vignola/Folha Imagem)

São Paulo - Daiane dos Santos falou pela primeira vez sobre o resultado positivo de seu exame antidoping. Em entrevista coletiva ontem, em São Paulo, a ginasta de 26 anos admitiu o uso da furosemida, que foi encontrada em seu organismo. Mas ela também disse não saber, na época do controle realizado em julho, que o diurético é proibido pela Agência Mundial Antidoping (Wada), embora tenha feito constar o nome da substância do relatório do teste.

Em entrevista que durou mais de uma hora, Daiane tentou explicar o que aconteceu entre 2 de julho e 30 de outubro, período que corresponde à realização do controle de dopagem e à divulgação do resultado positivo pela Federação Internacional de Ginástica (FIG). Bastante tranquila, ela informou que só soube da proibição da furosemida ao receber um e-mail da FIG, já no dia 3 de outubro.

"Voltei de Copenhague no dia 4 (estava na reunião que de­­finiu o Rio como sede da Olim­píada de 2016) e, no dia 5, vi o e-mail. Estava todo em inglês, pedi para uma pessoa me ajudar a ler, e lá estava escrito que constava a furosemida na minha urina. Só aí fui procurar saber o motivo da informação estar lá e descobri que a substância era proibida", contou Daiane.

O diurético fazia parte de um tratamento estético. Daiane afirmou que estava incomodada com a aparência de sua barriga.

"Eu estava parada (por causa de duas cirurgias no joelho di­­reito, que a afastaram das competições desde a Olimpíada de Pe­­quim, em agosto de 2008). Não podia correr, andar, não po­­­dia fazer nada. A musculatura, claro, foi virando gordura. Meu abdome não estava com uma aparência agradável", lembrou a ginasta.

Ao ser solicitada pela FIG pa­­­ra fazer o exame antidoping, Dai­­ane disse que ligou para a esteticista, que lhe informou o nome de todos os medicamentos usados no tratamento contra a gordura localizada. Não percebeu que, entre eles, estava algo proibido.

"É óbvio que eu não sei o nome de todas as substâncias proibidas de cabeça. Ninguém anda com livro da Wada na bolsa. Fui um pouco ingênua, mas também não esperava ser testada, porque nem estou em condições de competir. Tanto que, depois do exame, ainda fiz outra aplicação", revelou.

O advogado Cristian Rios afirmou que a ginasta pretende ir pessoalmente à sede da FIG, em Lausanne, na Suíça, para dar ex­­­plicações do fato. Tanto ele quanto Daiane fizeram questão de afirmar, várias vezes, que ainda não há um processo sobre o caso, mas apenas um pedido de esclarecimento.

"Não é questão de contar uma história bonitinha. Vou contar a verdade, dizer que não sabia e que não usei nada para levar vantagem. Espero que a FIG leve em conta meu histórico de exames que nada acusaram e tudo o que fiz pelo esporte", disse Daiane, que já foi campeã mundial da prova de solo, em 2003.

Ela também garantiu que ain­­­­­da não pensa em uma possível punição (a suspensão por do­­­ping seria de dois anos) e, muito me­­nos, na aposentadoria.

"Com tan­­tos problemas que tive, já poderia ter parado. Estou me recuperando, até agora, de ci­­­­rurgias. Meu foco ainda é a Olim­­­píada de Londres, em 2012", avisou Daiane.

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