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Crise

Degola e atraso salarial dão início à debandada

Incomodados com a impontualidade no pagamento e a falta de perspectiva para 2012, jogadores falam em deixar o Tricolor

O técnico Guilherme Macuglia comandou treino ontem na Vila logo após a torcida tentar intimidar o time: jogadores garantem que fatores extracampo não vão atrapalhar no duelo com o Bragantino | Albari Rosa/Gazeta do Povo
O técnico Guilherme Macuglia comandou treino ontem na Vila logo após a torcida tentar intimidar o time: jogadores garantem que fatores extracampo não vão atrapalhar no duelo com o Bragantino (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

A confirmação do rebaixamento do Paraná no Estadual já se refletiu nos vestiários da Vila Capa­nema. Parte do elenco, desmotivada com a falta de calendário no primeiro semestre, anunciou que não quer seguir no clube em 2012. Os atrasos salariais também voltaram à tona. Tudo às vésperas de o time decidir sua permanência na Série B nacional, sábado (26), contra o Bragantino.

Ao mesmo tempo em que os dirigentes exigem concentração e determinação nos treinamentos, os jogadores reclamam de dois meses de salários atrasados. "Ti­­vemos uma reunião com o Paulão [Paulo César Silva, vice-presidente de futebol] na segunda-feira e ele ficou de acertar uma parte até sexta. Vamos esperar", afirmou o lateral-direito Mar­quinho.

A instabilidade financeira, ali­ada à falta de perspectiva, fez com que grande parte dos jogadores manifestasse a intenção de deixar o Paraná. A explicação dos atletas: ninguém quer ficar quatro meses parado.

"Vou ficar fazendo o quê no clube se o time não tiver campeonato para disputar?", indagou o artilheiro do time na Série B, Giancarlo. Preocupação compartilhada pelo meia Dinélson. "É óbvio que nenhum jogador vai querer ficar no clube sem ter o que jogar. Fica difícil mesmo", emendou, resignado.

A debandada de jogadores de­­ve ser geral. Com poucos atletas com contrato válido para 2012 e administrando um orçamento ainda mais enxuto, a reformulação será total. A permanência do técnico Guilherme Macuglia também está ameaçada.

Mesmo quem já assinou a prorrogação do vínculo deve ter o contrato revisto. É o caso do meia Cam­­bará, que na semana passada firmou um novo acordo com validade de três anos. Ele disse ontem que vai se reunir com a diretoria e o seu empresário, Mar­cos Amaral, para decidir o futuro. "Ficar sem jogar eu não quero. Não é viável nem para mim e nem para o Paraná. Eu estava focado aqui, mas não imaginava essa reviravolta", comentou.

Além do vácuo no calendário, a agenda de partidas será bem pouco atrativa. Na Segundona do Paranaense, o Tricolor vai enfrentar adversários fracos tecnicamente e terá de se acostumar com longas viagens. A cidade mais próxima é Prudentópolis, a 208 quilômetros de Curitiba.

Fatores combinados que au­­mentaram consideravelmente a pressão para que os boleiros evitem um segundo rebaixamento, desta vez em nível nacional, na mesma semana. Os jogadores reconhecem que irão enfrentar um clima de tensão na partida de sábado. A confiança em livrar o time da degola, porém, é discurso geral no grupo. "A maioria do elenco não participou do rebaixamento no Paranaense. Nossa responsabilidade é relativa so­­mente a este Brasileiro. É para manter o time na Série B que vamos entrar em campo no sábado", garantiu Dinélson.

Marquinho é outro a assegurar que os problemas extracampo não vão interferir no desempenho dos atletas ante o Bragantino. "Ninguém quer sair com o currículo manchado. Independen­­temente da parte salarial, temos a obrigação de vencer", cravou.

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