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Seleção

Descuido

Brasil não joga mal, mas deixa Messi marcar nos acréscimos o seu primeiro gol na história do confronto e decidir a partida

Observado por Ronaldinho Gaúcho, Messi carrega a bola no clássico com o Brasil, em Doha: meia passou boa parte do jogo escondido, mas apareceu na hora certa para definir o confronto com um golaço | Karim Jaafar/ AFP
Observado por Ronaldinho Gaúcho, Messi carrega a bola no clássico com o Brasil, em Doha: meia passou boa parte do jogo escondido, mas apareceu na hora certa para definir o confronto com um golaço (Foto: Karim Jaafar/ AFP)

Doha - No primeiro grande teste após assumir a seleção brasileira, Mano Menezes comandou um time su­­perior à Argentina na maior parte do jogo de ontem, mas viu o craque Messi decidir nos acréscimos. Foi o primeiro gol dele contra o Bra­­sil, acabando com um jejum de vitórias dos hermanos no confronto – que já durava mais de cinco anos – e com a invencibilidade de Mano. Após a derrota por 1 a 0, a principal preocupação do treinador é não deixar que o revés acarrete desconfianças ao trabalho.

"Temos de analisar pelo todo. O time teve boa postura, o empate se­­ria mais justo", disse Mano, que an­­teriormente havia vencido Estados Unidos (2 a 0), Irã (3 a 0) e Ucrânia (2 a 0).

O técnico lembrou que o elenco é jovem. "E no momento isso implica alguns riscos, mas no fu­­tu­­ro trará benefícios", avaliou, aprovando o desempenho em Do­­ha. "O adversário chegou uma ou duas vezes ao nosso gol nos últimos 45 minutos; nós estivemos mais próximos."

Seu diagnóstico para a derrota foi a desatenção no fim, quando Messi fez um belo gol aos 46 minutos. "Talvez tenha faltado aquela experiência. Não se toma um gol nessa hora, quando as equipes es­­ta­­vam já levando o jogo para o fi­­nal, sem maior interesse."

Os jogadores também lamentaram. "A bola estava no nosso pé, perdemos e tomamos o gol. Serve de aprendizado", disse o zagueiro David Luiz, sobre o momento no qual o meia Douglas – que substituiu Ronaldinho Gaúcho – foi desarmado antes de Messi vencer a defesa. "As duas seleções jogaram para a frente. Em um descuido no final, tomamos o gol", acrescentou Robinho.

Mano reconheceu também a ineficiência na hora de aproveitar as chances de gol. "Erramos no úl­­timo momento, faltou qualidade no instante final e esses jogadores têm essa qualidade. Eles têm de man­­ter a calma", afirmou.

De volta à seleção após mais de 19 meses, Ronaldinho Gaúcho foi bem avaliado. "Fez um bom jogo, assumiu a responsabilidade de criar a maioria das jogadas. Foi substituído [aos 27/2.º] por causa do desgaste físico e não por eu es­­tar insatisfeito", contou o treinador, deixando claro ter gostado do desempenho do meia e principalmente do interesse mostrado em campo. Assim, o astro parece ter garantido novas convocações.

Com a entrada de Ronaldinho e a ausência de Alexandre Pato, con­­­­tundido, Mano mudou o es­­que­­ma. "Eu vinha optando por três jogadores mais à frente e três mais atrás. Isso aumenta nossa força ofensiva, mas nos expõe mais. Contra a Argentina, decidi ter quatro no meio e apenas dois avançados", explicou.

Apesar do resultado desfavorável, o técnico manteve-se sereno. Re­­petiu que o saldo do período de for­­mação do grupo é positivo, me­­nos pelos resultados e mais pelo ama­­­­durecimento da equipe. "Uma derrota sempre nos deixa tristes, mas entendemos a maneira como aconteceu. Va­­mos saber interpretá-la e avançar para a fase seguinte do tra­­balho", prometeu.

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