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O nado só é praticado por 40 pessoas em Aruba e tem nove atletas em Guadalajara. Terminaram em sexto entre seis participantes | Alejandro Bolívar/ EFE
O nado só é praticado por 40 pessoas em Aruba e tem nove atletas em Guadalajara. Terminaram em sexto entre seis participantes| Foto: Alejandro Bolívar/ EFE

Se o nadador brasileiro Thiago Pereira fosse um país nos Jogos Pan-Ame­ricanos de Guadalajara, evento com encerramento hoje, ele seria o 11.º colocado no quadro geral de medalhas – com seis ouros, uma prata e um bronze, deixando outras 32 nações para trás.

O atleta exemplifica a "concentração de medalhas" no topo da pirâmide do Pan. Ainda faltando um dia de competição no Mé­­xico (apenas três disputas em jogo), já é possível dizer que os cinco primeiros colocados ficarão com mais de três quartos dos ouros na disputa.

Assim, cabe à maioria dos países no evento contentar-se com as migalhas que Estados Unidos, Brasil, Cuba, México e Canadá deixaram escapar. Ou sair de Guada­­lajara sem ver sua bandeira no pódio nem ao menos uma vez.

Dos 42 países que este ano participaram do torneio continental, mais da metade (24) não ganhou nem um dos 361 ouros disputados. Destes, 13 não subiram nenhuma vez ao pódio em 46 modalidades – como é o caso de boa parte das ilhas do Caribe.

Aruba e Ilhas Virgens têm ainda situação mais crítica, sob o ponto de vista de que no evento poliesportivo só o que importa é a vitória: ambas nunca faturaram uma medalha na história do Pan.

Para os atletas e técnicos desses nanicos do esporte, o sonho de su­­bir ao pódio é proporcional ao ta­­manho de seus territórios. "Somos um país muito pequeno. Assim, não temos tanta gente no esporte. E fica mais difícil competir", conta a jogadora de boliche de Aruba, Thashaina Seraus, de 21 anos.

Ela conta que sua participação no Pan é muito valorizada em sua terra natal, mas não sofre cobrança por resultado. "Traçamos objetivos possíveis. Eu consegui ficar entre as dez no individual, o que é para se comemorar. Afinal, sou amadora. E aqui encontro jogadores profissionais. Temos realidades muito diferentes. Mas, nos Jogos, ficamos conectados, de alguma maneira", fala.

Os outros 16 atletas da delegação de Aruba têm o mesmo perfil: amadores que, durante 15 dias, têm a chance de competir com re­­cordistas continentais no esporte. As Ilhas Virgens também vieram a Guadalajara com uma seleção diminuta: 16 competidores em sete esportes. Só a natação brasileira levou o dobro: 38 nadadores, que somaram 24 medalhas (dez de ouro).

Há ainda os que têm no esporte o reflexo de seu desenvolvimento social. O Haiti chegou ao México com uma delegação de 200 atletas em 12 esportes, esperanças no atletismo e levantamento de peso que não se concretizaram.

"Nos falta estrutura para os treinamentos. Da nossa equipe, 80% treina no exterior. As coisas pioraram depois do terremoto [em janeiro de 2010, que arrasou o país]. Nossa intenção é competir com a família pan-americana, viver o espírito olímpico e criar exemplos de conduta em nosso país", diz o chefe da missão haitiana, Fritz Gérald Fong.

Na linha intermediária do qua­dro de medalhas, estão os que não vão sair de mãos abanando do Pan, mas terão de se contentar com prata e bronze. Como o Uruguai.

"Devemos ganhar quatro ou cinco medalhas. Nenhuma de ouro. Temos uma população esportiva infinitamente menor que as de Brasil, Argentina e Estados Unidos. E não oferecemos prêmios em dinheiro para ganhar medalhas aqui. Os que vêm, estão aqui para fazer o melhor. Mas muitos dos nossos melhores não disputam o Pan-Americano", avalia o técnico de tênis da delegação do país, Federico Dondo. Até ontem, os uruguaios somavam três pratas e dois bronzes.

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