Há alguns anos os jogadores de futebol recebiam salários relativamente baixos em todos os clubes do país. Para complementar essa renda fixa, os diretores disponibilizavam os chamados "bichos", que na verdade são premiações em dinheiro para recompensar os jogadores pelas vitórias e/ou títulos conquistados. Com essa idéia em mente, a diretoria do Coritiba injetou ânimo em seus jogadores para a conquista do acesso à Série A em 2007.
Além do excelente clima que rodeia o elenco desta temporada bem diferente do que acontecia no grupo ano passado, quando os próprios jogadores confirmavam a existência de "panelinhas" a união do time tem sido motivo de destaque. Desde a chegada do técnico René Simões, o time assumiu outra postura e ao lado da torcida tem se apresentado como favorito ao título da Série B do Brasileirão.
Na última sexta-feira um almoço reunindo todos os jogadores e seus familiares selou o pacto de sacrifício firmado por eles pelos próximos dois meses. Em entrevista coletiva após a vitória do alviverde sobre o Ceará no último sábado, o treinador comentou sobre o encontro e revelou uma atitude classificada por ele mesmo como inovadora da diretoria Coxa.
"Na sexta-feira os jogadores treinaram e foram para um almoço, onde estariam apenas eles, mas ao chegarem lá estavam todos os familiares. Eu tive a chance de agradecer a todos e pedir mais dois meses de sacrifício, que certamente serão recompensados", disse René.
Segundo o treinador, ele havia pedido uma recompensa ao presidente Giovani Gionédis (o famoso "bicho") para cada conquista dos jogadores. A diretoria surpreendeu. "Eu havia pedido isso para ele para que depois de cada vitória eles recebessem algo. Então o presidente fez uma coisa que nunca vi no futebol e ofereceu um 'bicho' para os jogadores darem para um membro da família, ou seja, para esposa, mãe, irmão, filho ou até amigo. Isso é fantástico. Eu já combinei de dividir com minhas filhas e elas ficaram muito felizes e torcendo pela gente", explicou René Simões.
Mas, o treinador também mandou um recado para os beneficiários dessa nova premiação. "Só que se fizerem coisa errada, também entram na caixinha", brincou o treinador, citando que quando um jogador é suspenso ou comete alguma infração (como chegar atrasado) ele contribui com determinada quantia de dinheiro, que depois é destiando para um rateio entre todos no clube.



