
O assédio de empresários em cima do atacante Kelvin, de 17 anos, aumentou tanto desde o gol da vitória contra o América-MG, na última terça-feira, que pela primeira vez a diretoria do Paraná admite a possibilidade de negociá-lo. O primeiro empresário a conversar com a cúpula tricolor para tentar adquirir os direitos econômicos da maior revelação paranista dos últimos anos é Carlinhos Sabiá. O ex-jogador do clube representa a HAZ Sports Agency, grupo de investimento que levou o ex-atleticano Alex Sandro para o Santos.
Após desmentir na semana passada que estava em Curitiba para avaliar Kelvin, Sabiá confirmou que se reuniria no início da noite de ontem com a diretoria tricolor para apresentar uma proposta pelo jogador.
"Não posso falar [em valores] porque não sei o que eles querem, mas estou disposto a fazer uma proposta", dizia o empresário antes da reunião. Após o encontro, ele não atendeu às ligações da reportagem.
Pela avaliação do empresário, Kelvin interessa por ser um atleta de personalidade, mesmo sendo apenas um adolescente. "Ele é totalmente diferenciado. Joga como se estivesse há dez anos lá [no profissional]. Não está nem aí [para pressão]. Basta ver o que fez com o Flávio [experiente goleiro do América-MG]", enfatiza.
Mesmo admitindo não estar participando da negociação, o coordenador de futebol, Guto de Melo, confirma que, além de Carlinhos Sabiá, outros empresários têm procurado a diretoria para conversar sobre o atacante.
O vice-presidente de futebol, Aramis Tissot, argumenta que, com a dificuldade financeira que o clube vive, será difícil segurar o jovem talento. "Se alguém chegar e oferecer o valor da multa, o Paraná não tem muito o que fazer", admite.
Na semana passada, o Paraná aumentou a multa rescisória do contrato de Kelvin de aproximadamente R$ 800 mil para perto de R$ 7 milhões para o mercado brasileiro e R$ 22 milhões para o exterior. Entretanto, a diretoria não conseguiu aumentar o prazo do contrato, que segue sendo até maio de 2012. Com isso, o jogador pode ser negociado a partir do fim de 2011, já que a Lei Pelé permite que os atletas façam pré-contratos com outras equipes seis meses antes do término de seus vínculos.
Mesmo com tamanha dificuldade, o Tricolor ainda vai tentar manter o jogador na Vila Capanema o máximo que puder. "Eu sempre disse e mantenho minha posição: acho que o Kelvin tem de ficar no mínimo uma temporada no clube, jogar o Paranaense pelo menos. Mas não posso ser hipócrita para a torcida e dizer que o Paraná vai segurar o Kelvin. É muito difícil isso acontecer", reforça o assessor de futebol Paulo César Silva.
* Colaborou André Pugliesi.
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