
A Federação Paranaense de Futebol (FPF) começa a dar os primeiros sinais de que o pior da crise financeira, herança de mais de 20 anos de administração Onaireves Moura, já passou. A dívida continua gigantesca, batendo na casa dos R$ 50 milhões, o que não impediu, contudo, de a diretoria incrementar o serviço de logística que atende a entidade.
Há aproximadamente três meses um carro de luxo zero quilômetro fica estacionado ao lado do prédio da Avenida Victor Ferreira do Amaral, 1.930, no Tarumã, nas cercanias do Estádio Pinheirão. O veículo, um Toyota Corolla prata, serve aos principais dirigentes, especialmente a Hélio Cury, presidente da FPF desde novembro de 2007. No mercado, o preço do automóvel, o mais vendido no Brasil pela montadora japonesa, varia entre R$ 62 mil e R$ 89 mil, dependendo do modelo e dos opcionais. Um profissional também foi incorporado aos quadros da Federação para trabalhar como motorista.
Cury não vê problemas na aquisição, apesar do orçamento apertado três ações trabalhistas durante o mês de novembro obrigaram a tesouraria da entidade a refazer as contas para conseguir bancar o 13.º salário e as férias dos funcionários. Pelo contrário. O responsável pela FPF faz planos de aumentar a frota em 2011, no caso de a organização emendar o terceiro superávit consecutivo.
"Não poderia mais usar o meu carro, por minha conta, como fiz por três anos. Demos uma entrada e financiamos o restante do valor por meio de leasing [contrato de arrendamento com uma instituição bancária], a longo prazo. Algo normal, de mercado", afirma o mandatário. "Às vezes tenho de sair e fico amarrado. Por isso defendo que a presidência precisa ter um automóvel exclusivo", acrescenta. O outro seria usado para serviços burocráticos, como o pagamento de contas e visita a clubes.
Sem citar valores, o dirigente diz que a compra até aliviou o caixa da FPF, diminuindo despesas com aluguel de carros, prática comum principalmente nas viagens para o interior do estado. Cury só demonstra hesitação na explicação sobre o modelo escolhido para servir a Federação. Após alguns segundos de reflexão, o dirigente emenda uma série de argumentos para defender a opção pessoal pelo luxuoso compacto da Toyota.
"É um carro apresentável [risos]", abre. "Veja bem. Agora teve a Fifa aqui [representantes da entidade visitaram a FPF]. Como você vai buscar no aeroporto? Tem de ter um carro apresentável. [A Paranaense] é a quinta federação do país, não podemos esquecer", diz ele, evitando novamente apresentar números. Estratégia antiga para que novos credores, impulsionados pelos indícios de fim de crise, não batam à porta da entidade.




