
O apoio do torcedor alviverde no Couto Pereira, excepcionalmente neste Atletiba, também deverá servir de motivação para o time rubro-negro. Explica-se: desde a chegada de Ney Franco no Alto da Glória e de Antônio Lopes na Baixada, os dois times têm trilhado caminhos diferentes no Brasileirão. Enquanto o Furacão baseou a escalada na classificação em atuações fora de casa, no Coxa o mando de campo foi primordial para a equipe sair da zona de rebaixamento.
Franco chegou ao Coritiba na 19.ª rodada e desde então venceu quatro vezes dentro de seu território. No mesmo período, só perde como anfitrião para o Flamengo, que tem um triunfo a mais no Maracanã.
Lopes retornou à Arena duas rodadas antes, na 17.ª. De lá para cá, venceu três fora de casa, desbancando no quesito os líderes do campeonato. Só ficou atrás do Cruzeiro, que tem quatro vitórias longe do Mineirão.
"Anteriormente estávamos bem melhor fora do que em casa, mas depois dessa vitória sobre o Santo André (3 a 0), acho que talvez isso vá ficar para trás", comenta o volante rubro-negro Valencia. "Temos de voltar a fazer valer o nosso mando. Clássico é clássico, mas nós estamos jogando em casa e teremos de buscar a vitória. Mais do que nunca precisamos do resultado positivo", fala o lateral-esquerdo coxa-branca Luciano Amaral, que classifica a derrota para o Barueri como um acidente.
Mesmo com esse último revés no Alto da Glória, o desempenho alviverde como mandante no período pós-Ney Franco é de 67% 17% a mais do que a média de vitórias em casa ocorridas na competição.
Com Lopes, o Furacão também não fica atrás no retrospecto como visitante. Nas oito partidas realizadas longe da Arena, sob o comando do Delegado, o aproveitamento é de 41% 20% maior do que a média do Nacional.
Quando o assunto é Atletiba, no entanto, as estatísticas perdem força. Para boa parte dos jogadores a ordem das coisas tende a voltar ao normal. Para outros, não.
"Estamos um pouco melhor no campeonato, mas o favorito para o clássico é o Coritiba. Eles jogam em casa", diz o defensor atleticano Rhodolfo. "Clássico não tem favorito, independentemente se um joga bem fora ou dentro de casa. Tudo se define nos detalhes", rebate o goleiro coxa-branca Édson Bastos.
Apesar do histórico recente, o que deve determinar o resultado do confronto é a postura a ser adotada pelos rivais. Se fosse uma partida qualquer, não haveria segredo: certamente o Coxa partiria para cima, tentando encurralar o adversário na defesa desde os primeiros minutos; o Atlético manteria a retranca dos últimos jogos fora para supreender nos contra-ataques. Mas como é Atletiba...
* * * * *
Rivais, não inimigos
"Virei Coxa sozinho. Meu pai e irmãos são atleticanos, mas nunca forçaram. Não tenho foto de criança com a camiseta rubro-negra. Eu tinha alguns amigos e primos que eram alviverdes. Aos cinco anos, dei a notícia para a família. Meu irmão mais velho foi o que mais se incomodou. Conheci a Geisa e pensei não vou perder esta gata por que ela é atleticana. O batizado do nosso filho foi na churrascaria do Couto Pereira, com padrinho atleticano: o meu irmão mais velho."
André Barbosa Lourenço, 29 anos, corretor de imóveis.
"Aprendi a gostar do Atlético quando era pequena. Ia com meu pai e meu irmão assistir aos jogos no Pinheirão. Como nunca ganhei uma camiseta, tive de comprar uma. Virei assídua na Arena. Guardava os ingressos velhos na carteira e mais de uma vez tive de fazer a limpa, por falta de espaço. Então conheci o André, coxa-branca. Sempre fazemos piadinhas, mas sem briga. Temos um filho que vai fazer três anos, mas deixei o pai ensinar."
Geisa Bertuol, 27 anos, assistente administrativa.
* * * * *
Envie depoimentos, fotos e vídeos sobre como curtir a rivalidade do Atletiba sem violência para arquibancada@gazetadopovo.com.br.
O material selecionado será publicado no site da Gazeta do Povo (www.gazetadopovo.com.br/esportes).




