
De tão inesperada, a notícia deixou Kléberson eufórico. Por um instante, o fez esquecer dos preparativos para o aniversário da filha Daphine, de 1 ano. Único jogador campeão mundial enquanto defendia um clube do estado, o Atlético, o Xaropinho está de volta à seleção brasileira. Foi chamado ontem por Dunga, para substituir Anderson, um dos dois jogadores cortados por contusão. A outra vaga, de Alex, do Chelsea, será ocupada pelo ex-coxa-branca Miranda, mais um paranaense o volante, de Uraí; o zagueiro, de Paranavaí.
"Quando recebi a notícia não consegui me conter e comecei a pular pela casa inteira. Estou eufórico e muito feliz, diria que é um dos dias mais felizes da minha vida", afirmou, via assessoria de imprensa, o jogador, chamado de Penta pelos colegas flamenguistas.
Kléberson fez seu último jogo pela seleção brasileira no dia 17 de novembro de 2004. A equipe era comandada por Carlos Alberto Parreira e mesmo com Ronaldo, Ronaldinho e Kaká em campo, perdeu por 1 a 0 para o Equador, em Quito, pelas Eliminatórias da Copa de 2006.
O retorno consolida a recuperação do meio-campista de uma fase que parecia não ter mais fim. Fundamental no título nacional do Furacão em 2001 e elemento-surpresa da família Scolari no Mundial do ano seguinte, Kléberson colecionou decepções a partir do segundo semestre de 2003, quando foi vendido ao Manchester United.
Uma série de lesões o impediu de ter boa sequência em Old Trafford, de onde transferiu-se para o Besiktas. Na Turquia, além de não repetir o futebol apresentado no Brasil, envolveu-se em uma pendência jurídica com o clube, o que atrasou seu retorno ao futebol nacional, ano passado. Após altos e baixos no segundo semestre de 2008, somente na atual temporada conseguiu uma série de atuações capaz de fazê-lo indispensável ao Flamengo e reconduzí-lo a seleção. Agora, admite até a possibilidade de disputar o segundo Mundial. "Voltar à seleção era um sonho e posso sentir o gosto de uma Copa do Mundo novamente perto", disse.
Apesar de não ter sido chamado nenhuma vez na era Dunga, Kléberson tem um trunfo a seu favor. Terá no mínimo 21 dias para mostrar serviço ao treinador, entre a apresentação em Teresópolis, na segunda-feira, e o término da primeira fase da Copa das Confederações, dia 21 de junho.
São cinco jogos garantidos. Dois pelas Eliminatórias, contra Uruguai (dia 6, em Montevidéu) e Paraguai (dia 10, no Recife). Três pelo torneio na África do Sul, perante Egito (15/6), EUA (18/6) e Itália (21/6). Se o Brasil passar de fase, ainda terá mais duas partidas.
Em 2002, bastaram dois amistosos, contra Bolívia e Arábia Saudita, para convencer Felipão a levá-lo para a Copa. Agora, no retorno à seleção, encontrará três colegas do penta: o zagueiro Lúcio, o volante Gilberto Silva e o meia-atacante Kaká.



