
Iniciar a temporada enfrentando um Paranaense deficitário, com pouquíssima receita, qualidade técnica baixa e quase nenhum prestígio logo antes do Brasileiro tem sido um estorvo para Atlético e Coritiba. Muitas das razões de ambos terem se acertado apenas no desfecho do Nacional estão na péssima "preparação" executada durante o Estadual.
Nos quatro primeiros meses do ano, os dois representantes do estado na Série A dificilmente contam com contratações de peso. Marcelinho Paraíba, por exemplo, chegou ao Alto da Glória só para o octogonal decisivo. Paulo Baier veio para a Baixada apenas na sexta rodada da principal competição.
Coadjuvantes importantes nas duas equipes aportaram em Curitiba com o Brasileirão em andamento. Casos de Rafael Miranda e Alex Mineiro no Furacão; Thiago Gentil, Rômulo e Jéci no Alviverde. Sinais claros que, em muitos casos, reforços são avessos à frágil disputa doméstica do Paraná.
Com isso, todo o planejamento para o restante do ano fica prejudicado. Até as direções de futebol foram reformuladas quando os rivais estavam sem rumo, na zona de rebaixamento na Baixada, assumiu Ocimar Bolicenho; no Alto da Glória, João Carlos Vialle.
"Neste ano tem o agravante de que o Paranaense foi um dos piores da história. O título dá uma iludida para o planejamento futuro", admite o atleticano Bolicenho. "O lado financeiro do Campeonato Paranaense é péssimo. A única vantagem é classificar para a Copa do Brasil", pondera o coxa-branca Vialle.
Se por um lado o dinheiro da cota de televisão (via Clube dos 13) é pago mensalmente desde janeiro, por outro, é muito difícil atrair investidores para o Paranaense. A dupla só conseguiu patrocinador master (espaço na frente da camisa) com a mídia destacada durante o Nacional.
No entanto, há outros fatores para os rivais decolarem tão tarde no Nacional. "O Atlético tem 14 jogadores que subiram da base. O resultado ideal com eles só vem no segundo ou terceiro ano de profissional", opina Bolicenho. "No começo do Brasileiro, os resultados não refletiam nossa qualidade. Estávamos focados na Copa do Brasil e isso atrapalhou", diz o presidente alviverde Jair Cirino.
Para 2010, as duas direções fazem promessas para mudar o atual panorama. No Coxa, Vialle garante "time montado até dezembro". No Furacão, Bolicenho assegura "que a equipe não terá três comissões técnicas" como ocorreu nesta temporada.
O primeiro passo da dupla será manter seus treinadores. O Atlético tentará renovar com Antônio Lopes. O Coxa já conversa com Ney Franco.
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Matemática
Coxa e Atlético afastam o perigo
Para o matemático gaúcho Tristão Garcia, no atual estágio do Campeonato Brasileiro, os torcedores de Coritiba e Atlético não precisam se preocupar com o rebaixamento. Embora a dupla Atletiba esteja mal colocada na tabela, o Alviverde tem apenas 9% de chances de cair para a Segunda Divisão; o Atlético, 5%.
"Os paranaenses se afastaram da zona. Por enquanto, existe um campeonato à parte entre cinco equipes (Fluminense, Sport, Náutico, Botafogo e Santo André) e só o campeão será mantido na Série A", diz o matemático que, contudo, faz um alerta. "Atlético e Coritiba não parecem fazer parte desse cenário, mas não podem dar mole."
O número para se ter sucesso na briga da parte de baixo da classificação é 47. Com essa pontuação, Tristão afirma que qualquer equipe garante a permanência na elite. Mas até quem fizer 45 pontos tem mais de 90% de chances de não cair com 46 pontos as chances aumentariam para 97%. Se a conta estiver certa, o Coxa precisaria marcar mais 14 pontos em 11 jogos para escapar. O Furacão, mais 13.




