São Paulo - Quase todos os 20 pilotos estrangeiros que vão disputar o 39.º GP do Brasil deverão chegar hoje a São Paulo. Ontem, os funcionários da prefeitura e de empresas contratadas realizavam os últimos detalhes da tradicional reforma em Inter­­la­­gos destinada a receber a Fórmula 1. Três equipes vão participar pela primeira vez da prova: Lotus – o novo time, não o que fez história na competição –; Virgin, de Lucas Di Grassi; e Hispania, de Bruno Senna. E seus integrantes nem desembarcaram no Brasil e já ficaram sabendo que o promotor do espetáculo, Bernie Ecclestone, disse algo profundamente desestimulante ao seu projeto de se estabelecer na Fórmula 1: "Essas equipes são perfeitamente dispensáveis".

Lucas Di Grassi e Bruno Senna lutam com o grupo de abnegados profissionais da Virgin e da His­­pa­­nia para reduzir a diferença de de­­sempenho que os separa das equipes que há muito mais tempo, e dis­­pondo de bem mais recursos técnicos e financeiros, competem na Fórmula 1. Mas, para Ecclestone, sua presença no Mundial "é uma vergonha". Em termos puramente esportivos, ter carros que são, na média, entre 4 e 6 segundos mais lentos do que os mais velozes representa quase a distinção entre duas categorias distintas. "O senhor Ecclestone pode ter a opinião dele. Nós continuamos com o nosso projeto e o progresso tem sido grande", afirmou Di Grassi, em outra oportunidade, quando o principal dirigente da Fórmula 1 também havia criticado a falta de desempenho dos estreantes. Desta vez, as declarações do chefão da categoria foram publicadas pelo jornal Financial Times, da In­­gla­­terra, que é uma espécie de porta-voz de Ecclestone na mídia britânica.

A decepção maior de Ecclestone é com Richard Branson, proprietário do grupo Virgin, cujo investimento é bastante pequeno se comparado ao que faz, por exemplo, o indiano Vijay Mallya na sua Force India, sexta colocada entre os construtores, na frente até da Williams, sétima. Isso para não dizer de Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, organização que pode ser campeã na sua quinta temporada na F-1. A empresa austríaca não investe menos de US$ 200 milhões (cerca de R$ 320 milhões) por ano no seu projeto. Já Branson, estima-se, não gasta mais do que US$ 20 milhões (R$ 32 milhões), ou 10% do orçamento da Red Bull. Daí a bronca de Ecclestone.

Pista

Para evitar que vários pilotos percam o controle do carro por causa de aquaplanagem, como ocorreu na edição de 2003 do GP do Brasil, quando sete pilotos bateram na curva do Sol, os organizadores do evento promoveram modificações na drenagem da pista de Interlagos.

É bom lembrar que a meteorologia indica possibilidade de chuva, em especial no domingo, dia da corrida, com largada às 14 horas (de Brasília).

Na mesma curva do Sol há, hoje, frisos no asfalto, recurso se­­melhante ao utilizado em pistas de campo de aviação. A água tende a infiltrar-se entre os sulcos, evitando de se acomodar entre o asfalto e a banda de rodagem do pneus, o que causa a aquaplanagem.

Fora das pistas, ontem foi um dia de luto para o automobilismo brasileiro, com o falecimento de Piero Gancia, ex-piloto e presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]