
Com a diretoria sem dinheiro para pagar um hotel na cidade, o elenco do Paraná não se concentrará antes do clássico contra o Atlético, no domingo (8), às 19h30, na Arena da Baixada. Assim como aconteceu nas duas rodadas iniciais do Campeonato Paranaense, os jogadores se apresentarão apenas no dia do jogo, horas antes do duelo às 11h30, no CT Racco, no bairro Fazendinha.
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A decisão, tomada em conjunto entre membros da comissão técnica e diretoria após reunião na tarde desta sexta-feira (6), foi confirmada pelo gerente de futebol, Marcus Vinícius. "Em decisão conjunta [entre comissão e diretoria], não vamos concentrar porque não temos condições financeiras de pagar um hotel e o CT Racco ainda não tem as condições mínimas para uma concentração", revela o gerente.
A manutenção da política de não-concentração para o clássico contrasta com as afirmações do técnico Luciano Gusso que, logo após o empate sem gols com o Cascavel, na última quinta-feira (5), demonstrou preocupação com a alimentação e descanso dos atletas e cogitou a volta da concentração para o duelo entre rivais.
"Não é algo definitivo, para o clássico podemos concentrar, até para termos melhor descanso e alimentação. Não é comum não concentrar. É um trabalho de conscientização de todos", disse, na ocasião.
O meia Lúcio Flávio foi outro a criticar a decisão da diretoria. "Por ser um elenco novo, maioria dos jogadores solteiros, a melhor opção seria a concentração. Até pra ter uma melhor alimentação e descanso, a gente não sabe como cada jogador está se cuidando", analisou o capitão, após o jogo com o Cascavel.
"Sabemos das dificuldades que o clube está passando, porém temos que reavaliar e encontrar uma alternativa melhor, para que o clube dê aos atletas melhores condições de descanso e alimentação", complementa o camisa 10. Segundo estimativas da própria diretoria, cada concentração custa em torno de R$ 10 mil para o clube, valor que é poupado com a nova estratégia. De acordo com o vice-presidente de futebol, Aldo Coser, os mandatários têm esperanças de ajustar as dependências do CT Racco ainda durante a disputa do Estadual.
"Nossa intenção é preparar o CT Racco para concentrar lá, estamos fazendo um esforço para deixar pronto o quanto antes. Temos alguns detalhes por acertar, como a sala, a cozinha, que está quase pronta, a parte de lavanderia e a estrutura médica e de fisioterapia", projeta.
Filme antigo
Não se concentrar antes de um clássico não é fato novo para o Paraná. Isso também ocorreu antes do jogo contra o Atlético, no ano passado.
Em 2014, porém, a decisão partiu dos jogadores que, por causa de salários atrasados, decidiram não concentrar.
O resultado foi ingrato. Após vencer a primeira partida das quartas de final por 2 a 1, o Tricolor perdeu o jogo de volta por 2 a 0 e acabou eliminado pelo sub-23 atleticano.
Para o capitão Lúcio Flávio, este episódio foi um dos mais difíceis vividos por ele no clube em 2014.
"Tivemos eventos muito desgastantes. O primeiro foi a véspera do jogo contra o Atlético [segunda partida das quartas de final do Paranaense 2014]. Pelo fato de a diretoria ter prometido pagamentos e não ter cumprido, o elenco não queria concentrar", disse o capitão, em entrevista à Gazeta do Povo, em dezembro do ano passado.



