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Suburbana

Empate com sabor de virada

No reencontro com Ivo Petry, Trieste reage após início arrasador do Combate Barreirinha

 | Mauro Campos
(Foto: Mauro Campos)

A "migração" de Ivo Petry e mais oito jogadores do Trieste para o Combate, no fim do ano passado, se estendeu à arquibancada. Esposa do roupeiro Edgar, a dona-de-casa Márcia Oliveira Franco levou para a Barreirinha parte da torcida feminina que liderava em Santa Felicidade. Deixou um grupo de dissidentes, parentes de jogadores e dirigentes dos italianos que saíram do Recanto Tricolor, já sob o pôr-do-sol de sábado, comemorando como vitória o empate por 2 a 2 no clássico suburbano.

Antes do jogo, dirigentes e treinadores negavam qualquer ressentimento entre os antigos aliados, agora em lados opostos. Mas bastou a bola rolar para o "Ivo Petry Futebol Clube" abandonar a amistosidade e atropelar o antigo patrão.

Em menos de cinco minutos o Combate já tinha 2 a 0 no placar. O ensaio de massacre começou aos três minutos, com Guilherme, e ficou mais real 120 segundos depois, com Geovane.

Vibração da torcida feminina do Combate, que castigava os ouvidos de quem estava por perto com seus gritos e batuques. Resignação no morro atrás de uma das metas, onde a torcida do Trieste se concentrou. Sofrer dois gols tão rápidos – e ainda mais de dois ex-aliados – era sofrimento demais para os italianos.

Mas a goleada ficou só no ensaio. Altevir Salles arrumou a defesa com uma mudança aos 20 minutos de jogo. Funcionou. Antes do intervalo o Trieste empatou, com Paulo Vera (um dos poucos discípulos de Ivo Petry a permanecer em Santa Felicidade) e Marquinhos (de pênalti).

No segundo tempo, o Combate pressionou o Trieste, que assustava nos contra-ataques. Situação perfeita para o goleiro Vanderlei se destacar. E para uma torcedora especial puxar, a cada defesa, o grito de "Ei, ei, ei, nós temos Vanderlei".

A analista de sistemas Cristiane Daros, mulher do camisa 1, era uma das mais agitadas torcedoras do Trieste. No fim do jogo, não escondeu o alívio pelo empate. "Não perder era questão de honra. O empate teve gosto de virada", comemorou ela, que vê hoje o Combate como um rival maior que o vizinho Iguaçu.

Ao lado dela, a comerciante Indianara Muraro também tinha motivos para comemorar. Sobrinha do diretor de esportes Gérson Muraro, ela cresceu no clube. Seu pai, Pingo de Ouro, foi um dos grandes ídolos da história do Tricolor. "O Trieste é a nossa família, a nossa vida", afirmou.

Protagonista do clássico, Ivo Petry gastou parte das entrevistas pós-jogo para, pela enésima vez, desmentir qualquer sabor especial no novo clássico. A julgar pela comemoração dentro do vestiário do visitante e pelo sorriso da torcida do Trieste, um ponto de vista que não se reproduz em Santa Felicidade.

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