
A prefeitura do Rio de Janeiro e o consórcio responsável pela construção do Engenhão, formado pelas empresas Odebrecht e OAS, afirmaram ontem que a interdição do Estádio Olímpico João Havelange foi motivada pelo deslocamento da cobertura. Ao anunciar na última terça-feira a decisão de interditar a praça esportiva, o prefeito Eduardo Paes havia afirmado que os "problemas na cobertura" ofereciam risco aos torcedores. Segundo informou o consórcio, o deslocamento vem desde a inauguração do Engenhão para os Jogos Pan-Americanos de 2007, ao custo de R$ 380 milhões.
Somente agora, seis anos depois, prefeitura e consórcio têm pleno conhecimento do risco. Ontem foi apresentado ao prefeito um relatório da empresa alemã SBP, "referência mundial em engenharia estrutural", como referiu o consórcio, que aponta o risco de "ruína" da cobertura (total ou parcial) em caso de ventos a 63 km/h, sob determinadas circunstâncias como altura e direção.
O engenheiro do consórcio Engenhão, Marcos Vidigal, afirmou que, desde 2007, não houve nenhum novo deslocamento na cobertura. Segundo ele, na época da construção, depois que fossem retiradas as escoras da cobertura, havia um deslocamento previsto que foi 50% maior do que o esperado. O problema atinge a cobertura dos setores leste e oeste (lados do campo); norte e sul estão normais. Por causa do deslocamento, o estádio estava sendo monitorado desde a inauguração.
Logo após a conclusão da obra, o engenheiro responsável pelo projeto básico da cobertura, Flávio DAlambert, emitiu parecer técnico garantindo a segurança da estrutura. "Porém, era preciso verificar o motivo do deslocamento e se o mesmo poderia comprometer a estrutura", informou o consórcio.
Em 2010, a alemã SBP foi contratada, construiu uma maquete do estádio já com o deslocamento constatado e a submeteu a um túnel de vento. "A SBP concluiu de forma definitiva que a estrutura do Engenhão deverá passar por intervenções preventivas", informou o consórcio à prefeitura, aconselhando a interdição.
Por ora, não há nenhuma solução. "Acabamos de receber o relatório indicando um problema sério, sem soluções. No máximo em 30 dias queremos ter uma solução para o problema e vamos anunciar", prometeu o presidente da Empresa Municipal de Urbanização (RioUrbe), Armando Queiroga, que representou o prefeito Eduardo Paes na entrevista coletiva. Caso o problema seja de projeto, a prefeitura arcará com as despesas.



