O fixo Gérson, do Paraná Clube, simboliza o contraste do futebol de campo e o futsal. Vice-artilheiro do Paranaense com 19 gols, o paraense mora na Vila Guaíra, em Curitiba, na companhia de outros nove companheiros de time. Pode andar tranquilamente pelas ruas de Curitiba sem ser reconhecido e não tem o salário nem o assédio dos profissionais dos gramados. "É bem diferente a vida, mas tem vantagens também", garante o jogador de 26 anos. Assim como muitos do futebol de salão, ele teve rápida passagem pelo futebol campo. No time do coração, o paraense Paysandu, ele ficou por duas temporadas (2003 a 2004) sem sucesso.
Incentivado pela irmã, que é procuradora do estado em Belém-PA, Gérson cursa o segundo ano da faculdade de Direito e pretende seguir a carreira assim que chegar a aposentadoria das quadras. "Não penso em trabalhar no esporte, pois o acredito que terei um futuro melhor se seguir a carreira jurídica. Desta vez vou até o fim do curso", garante ele que parou terceiro ano de Administração. "Não consegui cursar por causa das viagens e jogos. Agora tenho as noites livres para estudar. No futsal é muito difícil conseguir o reconhecimento financeiro do nível dos gramados", emenda o fixo.
Para o jogador paranista, o esporte necessita de duas ações urgentes para ter reconhecimento financeiro no Brasil. "Virar modalidade olímpica e ter transmissão de jogos em grandes redes de televisão aberta, como acontece com futebol de campo", enumera.
No país, há uma campanha para que o Comitê Olímpico Internacional inclua o futsal nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Enquanto isso não acontece, Gérson quer aproveitar a boa fase. "Eu nunca fui o artilheiro dos clubes onde joguei, mas sempre peguei bem na bola. Não era minha meta ser artilheiro, mas os gols estão saindo", analisa o jogador, que luta pela artilharia com Daniel Japonês, do Guarapuava, adversário do Tricolor hoje, na casa do adversário. Japonês, porém, leva boa vantagem, com 25 tentos.



