
O primeiro discurso de Ney Franco ao chegar no Coritiba, em agosto, foi otimista: o técnico disse que precisaria de três jogos para tirar o Alviverde da zona de rebaixamento. O cálculo deu relativamente certo, e à medida que a equipe começou uma tímida recuperação, as estimativas foram ficando mais ousadas.
Nas derrotas, os problemas eram empurrados com a barriga. Nas vitórias, todos se empolgavam. Ao cúmulo de, em certo momento, o risco de rebaixamento ser deixado de lado, a Sul-Americana virar objetivo e até a Libertadores aparecer no discurso coxa.
Mas 19 rodadas depois da chegada do comandante o sonho passou longe da realidade. A ponto de, na última partida do clube em 2009, a única chance de o time não enterrar completamente o ano centenário ser ficar na Série A.
"Em alguns momentos você faz um planejamento, acha que vai acontecer algumas coisas e elas não acontecem. Tem coisas no futebol que você tem controle, tem outras coisas que você não tem. Nós tivemos um momento dentro da competição onde estávamos com cinco pontos de distância da zona de rebaixamento, com possibilidade real de abrir oito. Mas isso não aconteceu", afirma Ney Franco, que evita justificativas e análises do que passou. "Não é hora de procurar explicação. Não temos nem mais um jogo fora de casa e prefiro pensar no retrospecto em casa... Temos de trabalhar em cima da verdade, da realidade. A realidade do Coritiba hoje é que tem de jogar domingo e vencer o Fluminense."
Se o treinador prefere, com razão, manter o foco no único fator positivo 2009 a união entre time e torcedor , os atletas não têm problemas em reconhecer que foi o desempenho fora de Curitiba o causador de toda a dor de cabeça. Destruiu não somente a campanha do Alviverde, mas também os prognósticos.
"O problema foi os pontos perdidos longe do Couto Pereira. Foram muitos pontos. No segundo turno não vencemos nenhuma. Aí fica difícil. Um time que quer conquistar alguma coisa não pode ficar sem vencer fora", afirma Leandro Donizete.
Outro motivo apontado para o furo nos cálculos é o crescimento de times que estão atrás. Isso se reflete perfeitamente nas estimativas feitas e refeitas durante todo o período.
"A gente tem de ver também a situação do Fluminense que cresceu. Com seis vitórias consecutivas em um campeonato tão equilibrado tem de tirar o chapéu. Em princípio a margem era 42 pontos, depois 43, agora está subindo", analisa o zagueiro Pereira que também não foge de responsabilidade: "Mas o campeonato é equilibrado mesmo. E nós pecamos muito fora de casa, não conseguimos nem nos defender bem nem atacar bem. Daí fica difícil", acrescentou o jogador.
Visita à CBF
O presidente Jair Cirino, foi ontem à CBF pedir atenção total a comissão de arbitragem para a partida entre Coritiba e Fluminense. O dirigente teria sugerido alguns nomes que considera acima de suspeita. "Queremos gente com experiência, de preferência da Fifa", disse Cirino, que pediu o encontro como precaução. "Apenas temos de tomar nossas cautelas."




