
Quanto melhor o time, mais gente nas arquibancadas. Independentemente de tradição da camisa ou tamanho da cidade. Essa parece ser a lição apresentada pelos clubes paranaenses durante o Estadual.
Nos estádios do interior, nos últimos dois anos do campeonato local sem considerar a final do interior e levando em conta apenas quem disputou as duas temporadas as equipes que brigaram pelo topo da tabela tiveram as melhores taxas de ocupação nos estádios. E mais público significa mais apoio das arquibancadas, o que acaba motivando ainda mais os jogadores.
Os dois melhores colocados do interior em 2011 (Operário e Cianorte) e em 2012 (Arapongas e Cianorte) foram os que tiveram mais apoiadores em relação à capacidade do estádio. O Azulão, por exemplo, teve 44,1% do Estádio Albino Turbay ocupado nos jogos em 2011. Número que praticamente seguiu estável no ano seguinte (43,2%). Já o Operário de Ponta Grossa viu o Germano Krüger ter a melhor ocupação em 2011 (48%) e a terceira neste ano (26,6%).
Com repetidos sucessos em campo, é quase certeza que as arquibancadas estarão, se não cheias, pelo menos bem tomadas. Cria-se, porém, uma cobrança maior por bons resultados. Afinal, o torcedor faz a parte dele ao comparecer e espera um time de qualidade dentro das quatro linhas.
"O nosso torcedor já é um torcedor exigente e temos essa consciência. Temos conseguido manter o nível de público em função dos resultados. Temos aquele torcedor de resultado, que só vai quando o time está bem, mas sabemos que temos aqueles que são fiéis ao time", comemora o gerente de futebol do Cianorte, Adir Kist.
Essa relação não funciona apenas no topo da tabela. Na parte de baixo a lógica é a mesma. O Rio Branco tem sofrido e escapado por pouco da Série B estadual nos últimos anos. O Gigante do Itiberê tem visto poucos seguidores do Leão da Estradinha nesse período. Em 2011, contabilizou 9,2% de ocupação e, na temporada seguinte, apenas 8%.
A pior situação é a do Paranavaí. Campeão estadual em 2007, só amarga resultados ruins e tem enfrentado a ausência dos torcedores no Waldemiro Wagner. São do Vermelhinho as piores médias de ocupação nas últimas duas temporadas 6% em 2011 e 4,8% em 2012.
"A torcida realmente deu uma afastada. Depois que fomos campeões, o público caiu bastante", lamenta o diretor de futebol, Lourival Furquim, que tem outra tese para a queda de audiência in loco. "Era uma cultura do interior ir ao estádio e beber cerveja. Quando foi proibido [em 2008], muita gente deixou de ir. Isso tira pelo menos 500 pessoas por jogo", calculou.
O Rio Branco espera mudar esse cenário em 2013. A esperança é de que o torcedor volte ao estádio e passe a ser um reforço para o time dentro de campo. A estratégia é deixar de lado o Gigante do Itiberê e retornar à simpática Estradinha.
"A Estradinha vai ser um fator muito importante para nós. Eu tenho certeza de que voltando para lá, a média de público vai melhorar muito", projeta o gerente de futebol do time de Paranaguá, Sebastian Kozlovski.



