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Brasileiro

Espírito zen contra o rebaixamento

Com uma calma acima do comum para o mundo da bola, Ney Franco tem na música um de seus hobbies

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Alguns minutos de conversa com Ney Franco e é impossível imaginar que algo o tire do sério. Nem mesmo o futebol, seu ganha pão e esporte onde geralmente a emoção fala mais alto do que a razão. Olhar sereno, fala mansa, as respostas saem naturalmente até para as perguntas "na canela". O novo técnico do Atlético é a antítese do que se espera de um comandante em momentos difíceis. Não dá chacoalhão, conversar é o seu lema.

Não por acaso, Franco tem na música seu principal hobby fora das quatro linhas. E aí dá para entender um pouco do aspecto zen inabalável.

É no violão que ele deixa a emoção transparecer. Compôs mais de 300 músicas e tem um CD gravado, intitulado "O que queremos nós, os brasileiros?". Até concurso já ganhou, com a música "País crise", sucesso em sua porção compositor de protesto.

"Ele atira para todo lado. MPB, rock, pop, mas na essência é um cara romântico", avalia Rocky, vocalista da banda Mahais e amigo de longa data.

Ao lado dos demais integrantes da banda mineira radicada no Rio de Janeiro, Rocky deverá colocar a voz em várias canções do técnico Rubro-Negro, em um CD ainda sem previsão de lançamento.

Definição que o menino de Vargem Alegre admitiu em um caso na infância – história que ele não confirma, ou não lembra. Ney apaixonou-se pela trapezista de um circo que desembarcou no interior de Minas Gerais, e escreveu uma carta para revelar essa condição. E no final, resumiu para ela: "Em outras palavras, sou apenas um cara romântico".

"Tive uma convivência ótima com ele. É uma pessoa que ajuda quem quer ser ajudado. Desejo muita sorte, pois ele foi fundamental para mim no Flamengo", revela o atacante Obina. Com a camaradagem do treinador, o bom baiano deixou de ser execrado pela galera e transformou-se naquele que é melhor que o Eto’o.

Na Gávea, a postura de Ney Franco conquistou também os dirigentes. Assim como a parte técnica. Foram dois títulos no Fla, o da Copa do Brasil do ano passado e o carioca deste ano.

"O Atlético contratou um dos melhores treinadores do Brasil. É um homem confiável, íntegro e incorruptível. Um estudioso do futebol, apaixonado pelo esporte. Se o Flamengo fosse meu, infelizmente não é, ele seria técnico por 50 anos", opina o dirigente Kléber Leite.

Respeito mútuo

Questionado sobre ser era unanimidade entre os amigos, o agora atleticano deixou os elogios de lado e, como de costume, foi modesto. "Eu parto do princípio do respeito mútuo".

Já sobre o seu perfil como técnico, tranqüilamente se disse pronto para livrar o Rubro-Negro da incômoda ameaça do rebaixamento. Do seu jeito, claro.

"Me considero um treinador capacitado para dirigir qualquer equipe da Série A do Brasileiro. Acho que encontro o equilíbrio para conversar forte com os jogadores e usar a persuasão na hora certa".

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