
Beto Richa (PSDB) ou Osmar Dias (PDT). Se nenhuma reviravolta acontecer, um dos dois será o novo governador do Paraná a partir de janeiro. A dupla de ex-correligionários caminhou junta até o tucano decidir abrir mão de parte de seu segundo mandato como prefeito de Curitiba e entrar na disputa pelo Palácio Iguaçu. O pedetista, evidentemente, não gostou da "traição". Viraram adversários ferrenhos, com visões e proposições diferentes. Distanciamento escancarado quando o assunto é política esportiva. Osmar vai na linha de investir na base, mantendo a atual política. Richa prega a ruptura do atual modelo. A Gazeta do Povo entrevistou os favoritos a herdar a cadeira de Orlando Pessuti (PMDB) por e-mail, polarizando a discussão já que os demais concorrentes não atingiram nem sequer 1% nas últimas pesquisas.
Esporte no Paraná
Beto Richa: "O objetivo é melhorar e ampliar a infraestrutura já existente, criando novos centros de desenvolvimento, em parceria com clubes, prefeituras e entidades ligadas ao setor. Vamos estruturar a prática do esporte por meio de competições em nível municipal e regional. E apoiar atletas e paraatletas por meio de uma Lei Estadual de Incentivo ao Esporte."
Osmar Dias: "Nossa proposta é direcionar, e bem, os recursos do estado para o esporte para que a formação de atletas seja uma decorrência de uma boa política. Destaco aqui que uma das portas que vamos abrir para os nossos futuros atletas estará no Começando no Esporte, programa que vai promover a iniciação esportiva nas escolas."
Atual momento
B.R.: "O esporte foi tratado pelo estado com grande descaso nestes últimos anos. Quero instituir uma política estadual em conjunto com os municípios e as universidades estaduais, em sinergia com as federações e associações, cujo know-how e experiência foram desprezados no atual governo."
O.D.: "As diretrizes de nosso programa de governo preveem estimular nos cursos de Educação Física a constituição de equipes esportivas de alto nível; receber os atletas destacados nas escolas; investir em infraestrutura com técnicos incentivados com bolsas de estudo e oportunidades de mestrado e doutorado."
Alto rendimento
B.R.: "Vamos captar recursos junto a empresas que se disponham a investir em projetos consistentes, que ofereçam uma contrapartida social."
O.D.: "Temos de separar o público do privado. Creio que muitas iniciativas no campo esportivo dependem das respectivas federações e políticas de atração de recursos da iniciativa privada."
Ginásio do Tarumã
B.R.: "Houve algumas reformas no Tarumã, mas há dúvidas se foram suficientes para que o ginásio abrigue grandes eventos, de caráter nacional ou internacional. Pode funcionar como um centro avançado de treinamento e voltar a ter eventos de maior magnitude."
O.D.: "O ginásio do Tarumã tem uma estrutura belíssima que necessita de cuidados permanentes. Faz parte da história esportiva do Paraná e conservá-lo é imperativo para qualquer governante que ama esta terra."
Novo ginásio B.R.: "O Ippuc [órgão da prefeitura de Curitiba] fez um projeto que foi submetido ao Prodetur [Ministério do Turismo]. O órgão ainda não deu resposta, mas estamos bastante confiantes. Tem viabilidade técnica e Curitiba tem capacidade para oferecer a contrapartida."
O.D.: "Entendo que mais importante do que construir é desenvolver o esporte na base. Há inúmeros casos de belíssimas arenas que se encontram abandonadas por falta de um calendário esportivo intenso."
Arena e Copa
B.R.: "Participei das conversações com o Ricardo Teixeira para que Curitiba fosse definida como uma das cidades-sede. Tudo indica que o estado, a prefeitura e o Atlético chegaram a um consenso. E a solução [uso do potencial construtivo] é adequada, pois envolve o emprego de recursos privados."
O.D.: "A confirmação de Curitiba como uma das sedes da Copa foi perseguida pelo governo do Paraná, que deu as garantias necessárias para que a candidatura não passasse de uma peça de marketing. A Arena deve ser o estádio sede. E, no que depender do nosso governo, Curitiba terá a relevância que merece e que lhe é de direito."
Copel no esporte
B.R.: "Sou contra o uso de recursos públicos, sejam da Copel ou de qualquer órgão da administração estadual ou de empresa pública."
O.D.: "Muito se fala sobre investimentos de recursos públicos em empreendimentos privados, porém não podemos esquecer que existe toda uma legislação que limita e determina como devem ser esses investimentos."



