Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
pré-temporada

“Esse ano será diferente”, garante Gilson Kleina às vésperas da estreia do Coritiba

Kleina garante ano diferente para o Coxa | Christian Rizzi/Fotoarena/Folhapress
Kleina garante ano diferente para o Coxa (Foto: Christian Rizzi/Fotoarena/Folhapress)

Comandar o Coritiba é a chance que o curitibano Gilson Kleina aguardava para unir três fatores: recolocar no eixo o clube em que começou no futebol, retomar a carreira, marcada por rebaixamentos, e trazer a esposa e a filha para o convívio da família após anos peregrinando Brasil afora. Animado, Kleina enfatiza que 2016 será um ano diferente para o Coxa.

Qual sua análise da pré-temporada em Foz?

Serviu para nos conhecermos melhor, analisar e observar características de cada jogador. No início da temporada tem de fazer o alicerce. Isso dará sustentação para o ano todo.

O torcedor pode acreditar que mesmo com a maioria do elenco de 2015 mantida, 2016 pode ser diferente?

A gente entende a exigência do torcedor, mas estamos fazendo um planejamento de crescimento, se é para usar os meninos da casa ou contratar. Isso que estamos definindo bem. Tem que dar oportunidade.

O elenco precisa se qualificar mais?

Vai precisar reforçar. Não existe bater um numero x de contratações, mas precisamos de reforços pontuais. Aquele jogador que vai fazer diferença. Foram oferecidos vários com potencial, mas que são jovens. Eu penso que se é para pôr na vitrine jogadores dessa idade, vamos apostar nos nossos, que têm o mesmo potencial, mas com um adendo: têm identificação. Ao mesmo tempo, penso que o Coritiba precisa de contratações de referência, jogadores que darão suporte no Paranaense, Primeira Liga, Copa do Brasil e, principalmente, no Brasileiro. Precisamos de regularidade, pois com regularidade se atinge metas.

De que posições seriam esses reforços pontuais?

Precisamos trabalhar em cima de mais um jogador defensivo. Estamos bem servidos de volantes. Precisamos, na ausência do Kléber, de um jogador de área. Mas vou aguardar o crescimento dos meninos, o Dudu, o Ruy e o Thiago Lopes. Se chegar um atleta preparado e pronto, vai ser bom.

O Coxa luta há quatro anos contra o rebaixamento. Dá para tranquilizar o torcedor de que vai ser diferente em 2016?

No início do trabalho, será bem diferente. É uma equipe com atitude, comprometida. Não só os atletas, mas a gente sente isso nas conversas com o presidente, diretoria, que realmente querem sanar as coisas. E é importante ter a credibilidade das pessoas que tocam o clube. A seriedade e a transparência vão fazer o Coxa voltar a ter glórias. Estou acreditando nisso, mas futebol não é receita de bolo, que se encaixa da noite para o dia. Mas pelo que vimos, tem tudo para dar liga. Temos de ter convicção no planejamento. Não vamos acertar tudo, mas, se não acertar, vamos corrigir rapidamente.

Às vezes surge oportunidade de contratações, mas não dá para fazer loucura. Não tem como ter coisa para resolver com o grupo e ficar trazendo jogador caro. Isso desagrega

Gilson KleinaTécnico do Coritiba

Para que tudo dê certo, as contas tem que estar em dia. Vocês acredita que esse ano será diferente?

Tenho certeza disso. Temos que entender que às vezes não será no tempo que queremos, mas no tempo próximo será tudo sanado. A gente vê o esforço da parte financeira, do Mauricio [Andrade, diretor executivo] e do Valdir [Barbosa, diretor de futebol]. Não estão escondendo nada e trabalhando para que o atleta se preocupe só em jogar futebol. Às vezes surge oportunidade de contratações, mas não dá para fazer loucura. Não tem como ter coisa para resolver com o grupo e ficar trazendo jogador caro. Isso desagrega. Mas o Coxa vai reforçar, vai ter poderio técnico, jogadores comprometidos e diretoria transparente. Tudo isso vai refletir diretamente no torcedor.

Quando você chegou teve que justificar a série de rebaixamentos que tem no currículo. É um desafio ter de evitar a piora nesses números?

Na minha mão o Avaí não estaria rebaixado. Saí antes e botaram na minha conta. As duas equipes que tivemos dificuldades, Avaí e Bahia, foram problemas seríssimos financeiros. Fiquei chateado [ao chegar ao Coxa], pois parece que estavam contratando um profissional que só trabalha com insucessos. Isso eu não posso aceitar. Peguei o Palmeiras faltando 12 jogos para o fim e em momento algum citaram o profissional que veio antes [Felipão] quando peguei o time. Peguei na zona de rebaixamento. O Bahia também, mas cheguei a tirar os dois. Só que aconteceram várias situações, uma somatória de coisas e deu no que deu. Não tiro minha parcela de culpa, mas acho que tem que inserir todo mundo.

O Coritiba pode ser sua chance de retomar a carreira?

Sempre coloco na minha cabeça e falo com comissão técnica e jogadores da importância de um grande trabalho no Brasil. Ano passado foi um treinador só que ficou o ano todo empregado, que foi o campeão [Tite, no Corinthians]. É a cultura do futebol. O vice não tem valor, quem se classificou para a Libertadores não tem valor. O objetivo do clube tem que estar alinhado com o do treinador, mas também tem que passar isso para o torcedor. Muitas vezes, internamente, você vem para garantir a manutenção do time na Primeira Divisão. Eu preciso, junto com atletas, resgatar um grande trabalho. E temos condições.

Lembrei de quando recebi o convite. A primeira coisa foi falar com a família. Disse que tínhamos o privilégio de voltar para casa, mas avisei para que se preparassem que a cobrança seria muito maior

Gilson KleinaTécnico do Coritiba

Você falou em alinhamento entre objetivos de clube e do treinador. Qual foi a realidade que a diretoria passou para você?

O Coritiba sabe que precisa dar um salto de qualidade. Isso não aconteceu nos últimos quatro anos e o clube brigou para ficar na Série A. Esse ano será diferente. Fora de campo, o Coxa será forte nos bastidores e o reflexo virá para o campo. Se as coisas forem controladas como o presidente quer, com os pés no chão, teremos unidade. Tendo isso, podemos atingir patamares maiores. Por que não a Libertadores, por exemplo? O pensamento é esse. E no Estadual fazer de tudo para buscar título.

Como é para você, curitibano, jogar em casa?

Lembrei de quando recebi o convite. A primeira coisa foi falar com a família. Disse que tínhamos o privilégio de voltar para casa, mas avisei para que se preparassem que a cobrança seria muito maior. Nesse momento eu precisava voltar, porque minha filha estava crescendo distante da família. Isso pesou bastante. Ficamos longe de pessoas que a gente ama. Espero colocar o Coxa em um patamar de conquistas, um patamar vitorioso, como fomos nos anos 90, com categorias de base, títulos de aspirantes, Paranaense, grandes campanhas no Brasileiro, revelação de jogadores. A semente está lançada e vai crescer com mentalidade vencedora.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.