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Previsão

Baixada custará R$ 184,5 milhões

Thiago de Araújo

A conclusão da Arena da Baixada e de todas a infraestrutura adjacente custará R$ 184,5 milhões à prefeitura de Curitiba e ao Atlético. Estas duas entidades assumiram, no dia 13 de janeiro, a responsabilidade oficial por todo o "Complexo Esportivo Curitiba 2014". A documentação assinada entre os governos federal, estadual, municipal e a diretoria rubro-negra foi publicada no site do Ministério dos Esportes.

A reforma e conclusão do Joaquim Américo seguem orçadas em R$ 138 milhões e não leva em conta a provável isenção de impostos que a obra receberá, o que deve derrubar este número para a casa dos R$ 90 milhões. O início dos trabalhos segue esperados para o dia 1.º de março deste ano (embora possa ser estendido), e a conclusão é esperada para dezembro de 2012, já que Curitiba deve integrar a Copa das Confederações de 2013.

"O evento de assinatura em Brasília só serviu para ratificar o que já estava acordado desde o ano passado. Da parte do Atlético, garantimos que a conclusão da Arena, dentro do que foi acertado, será feita, respeitando também todas as condições e os prazos", disse o vice-presidente do Furacão, Ênio Fornéa, à Gazeta do Povo. O dirigente afirmou ainda que a busca por parceiros para a obra no Joaquim Américo segue em andamento.

Agora é oficial. A Copa de 2014, que Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, dizia que seria o Mun­­dial da "iniciativa privada", terá 94% dos R$ 5,342 bilhões para a re­­forma e a construção de estádios bancados pelos cofres públicos.

A conta foi formalizada pelo Ministério do Esporte, que divulgou documento que detalha as responsabilidades dos gastos do Mundial e especifica quanto custará cada um dos 12 estádios da Copa e quem irá pagá-los (também fez isso para as obras de mobilidade urbana necessárias para a competição).

O contrato mostra que R$ 3,427 bilhões para as obras nas arenas serão bancados com di­­nheiro do BNDES. O governo fe­­deral argumenta que o banco estatal de fomento fará empréstimos em condições de mercado, o que não configuraria uso de verba pública.

Mas, desse montante, só R$ 175 milhões devem ser tomados por entidades privadas – R$ 25 mi­­lhões pelo Atlético e R$ 150 mi­­lhões pelo São Paulo. O resto, ou quase tudo, será levantado pelos governos estaduais, que falharam na tentativa de angariar parceiros privados para as obras.

Além do dinheiro do BNDES, os estados ainda preveem investir, com recursos próprios, quase R$ 1,6 bilhão nas arenas. O governo de Brasília, por exemplo, promete bancar com dinheiro do seu orçamento R$ 345 milhões dos R$ 745 milhões que vai custar o novo Mané Garrincha, o mais caro de todos os estádios do Mundial.

Em 2007, quando o país ga­­nhou o direito de abrigar a Copa pela segunda vez, a CBF, a responsável pela candidatura brasileira na Fifa, estimava que o país gastaria pouco menos de R$ 2 bi­­lhões com estádios. Ou seja: a es­­timativa atual já é 167% maior do que a original.

O fato de os cofres públicos assumirem quase toda a conta dos estádios vai na contramão do que Ricardo Teixeira discursava até ano passado. Em maio, por exemplo, a CBF divulgou comunicado, assinado por ele, em que o cartola era categórico na defesa de verbas privadas.

"A Copa do Mundo será me­­lhor quanto menos dinheiro pú­­blico for investido. Essa equação é que norteia o projeto desde o início. Ao governo, em todos os seus níveis, caberá os gastos com obras que lhe dizem respeito. O investimento maior terá de vir da iniciativa privada", escreveu o cartola.

Os mais de R$ 5 bilhões que o Brasil pretende gastar com estádios fica acima do despendido pela África do Sul nas arenas do Mundial deste ano. A projeção de investimento dos sul-africanos é de R$ 3,9 bilhões. São dois estádios a menos que o Brasil, mas alguns dos projetos são arquitetonicamente mais ousados que os brasileiros, como os do Soccer City, em Johannesburgo, e das arenas da Cidade do Cabo e de Durban.

Os organizadores do Mundial brasileiro querem que as obras de todos os estádios comecem em março, mas nem todas as sedes cumprirão o prazo.

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Conta Copa

Veja como serão di­­vidi­­dos os investi­­mentos para o Mundial em Curitiba.

Atlético – R$ 113 milhões para a conclusão da Arena da Baixada.

Prefeitura – R$ 12,5 milhões em arquitetura e complementares; R$ 16,8 milhões em hospitalidade comercial; R$ 15,6 milhões em afiliados comerciais; R$ 1,7 milhão em barracas gastronômicas e voluntários.

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