
Se os paulistas têm dominado a era dos pontos corridos, abocanhando a grande maioria dos títulos e vagas na Libertadores, deixando paranaenses, gaúchos, mineiros e cariocas brigarem pelas que restam, pelo menos em uma coisa o futebol local vem ganhando de lavada. Nos últimos cinco anos, três vezes o artilheiro do Nacional foi de um clube de Curitiba.
Em 2004 Washington balançou a rede 34 vezes na campanha do vice-campeonato atleticano, se tornando o recordista de gols em uma edição do Brasileiro. Apesar do rebaixamento do Paraná, Josiel marcou 20 no ano passado. Um a menos do que o coxa-branca Keirrison ao lado do santista Kléber Pereira e de Washington, agora jogando pelo Fluminense na recém terminada competição.
A partir da implantação da nova fórmula, apenas os cariocas também tiveram mais de um artilheiro. Além do Coração Valente, Romário, atuando pelo Vasco em 2005 (22 gols). Os outros foram Dimba, do Gama, em 2003 (31) um a mais do que o paranista Renaldo , e Souza, do Goiás, em 2006 (17).
Eles costumam falar frases como: "A artilharia é importante, mas o que eu quero mesmo é o título (ou, dependendo da situação, a Libertadores ou escapar do rebaixamento)." Porém o histórico mostra que normalmente quem se valoriza é o jogador, enquanto as equipes não chegam ao objetivo.
Há quatro anos Washington ajudou a garantir o Rubro-Negro na Libertadores, mas o título não veio. Com Josiel foi bem pior: tantas bolas na rede não evitaram a queda tricolor. Já o Coritiba de Keirrison não conseguiu se manter até o fim na briga pela Libertadores.
Para eles, porém, artilharia é sinônimo de malas prontas e dinheiro no bolso. O Coração Valente logo acertou um contrato de US$ 2 milhões anuais com o Verdy Tokio, do Japão. Como o vínculo havia se encerrado, o Atlético não ganhou nada.
O Paraná até obteve lucro. Josiel foi vendido ao Al-Wahda, dos Emirados Árabes, que divulgou US$ 5 milhões como valor total da negociação. Mas, da parte que o clube recebeu, 50% foi repassado ao grupo de investimentos formado por conselheiros que havia adquirido o centroavante.
A saída de Keirrison também está definida. Só não se sabe se imediata ou no dia 30 de abril, quando termina o seu contrato. Certo é que o Coxa ganhará muito pouco ou nada. O jogador já assinou um pré-contrato com o Desportivo Brasil, clube laranja da empresa Traffic, que negociou a compra dos 80% direitos econômicos que pertenciam aos empresários do atacante por cerca de R$ 8 milhões. Mas, segundo a diretoria, pelos 20% do clube a oferta não chegou a R$ 1 milhão. Se ficar até o fim do vínculo, sai de graça.





