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Série B

Estatuto em jogo

Paraná será o primeiro clube do estado a testar as novas normas. Falta de sanções e problemas na fiscalização insinuam que a lei não deve pegar

Estádio Durival Britto, que passou por reforma para a recuperação do gramado, vai abrir a nova era do Estatuto do Torcedor em Curitiba: chance para ver se o ordenamento será mesmo colocado em prática | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Estádio Durival Britto, que passou por reforma para a recuperação do gramado, vai abrir a nova era do Estatuto do Torcedor em Curitiba: chance para ver se o ordenamento será mesmo colocado em prática (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)
Veja o que muda com o novo estatuto |

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Veja o que muda com o novo estatuto

O Paraná será o primeiro clube do estado a sentir o efeito da mu­­dança no Estatuto do Torcedor, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira. No pa­­pel, as alterações as­­sustam. Na prática, por ora, nem tanto.

Um dos itens da norma, por exemplo prevê a necessidade de um esquema de monitoramento por imagem em estádios com ca­­pacidade superior a 10 mil pessoas. Na partida de amanhã, contra o Náutico, pela Série B, a Vila Ca­­panema deveria estar equipada com essa "central técnica de informações", conforme exige o ordenamento. Porém...

"Não temos dinheiro para in­­vestir nesse monitoramento de imediato. A nossa expectativa é de que esse investimento seja feito pelo projeto ‘Torcida Legal’, uma pro­­messa do Governo Federal", argumenta Alessandro Kishino, advogado paranista.

Anunciado em fevereiro, o pro­­jeto prevê a instalação de um sistema de câmeras em 34 estádios no país. O Ministério do Es­­porte cederá em comodato os equi­­pamentos. Porém, ainda não há data prevista para o início da implantação do sistema.

Por causa dos incidentes registrados no Couto Pereira, após a partida dentre Coritiba e Flu­­mi­­nense, no Brasileiro do ano passado, foi prometido que o estado do Paraná seria o primeiro a receber o benefício. "Praticamente ne­­nhum estádio no estado tem esse sistema. Ou seja, podemos dizer que estão todos irregulares", atenua Kishino.

De fato. Apenas o Atlético tem um sistema de monitoramento de todos os setores da Arena. No Cou­­to Pereira, existem câmeras nos portões de acesso, mas não atendem a totalidade do estádio alviverde. Além disso, em virtude da punição imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), apenas em setembro o Co­­xa jogará em casa.

O problema não é apenas do trio da capital. Em Ponta Grossa, o Operário também precisará do sistema de monitoramento para seguir mandando os seus jogos em casa. O Germano Krüger tem ca­­pacidade de 13 mil pessoas. O Fantasma receberá dia 8/8, o Oes­­te-SP. Assim como os paranistas, o Fantasma também deve entrar em campo na ilegalidade.

Apesar disso tudo, os clubes não precisam ficar apavorados. Pois, embora o Estatuto já esteja valendo, ainda há dúvidas sobre a fiscalização e as punições para quem infringir as novas normas. Por exemplo, no caso da instalação das câmeras de segurança não há sanções programadas. "Assim nós não temos muito o que fazer", diz Kishino.

Em outras passagens do Esta­­tuto, a dúvida é ainda maior. É o caso do capítulo IV, que contém "não entoar cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos" e "não incitar e não praticar atos de violência no estádio". A punição diz que o torcedor ficará impedido de ingressar no recinto esportivo ou será afastado imediatamente.

Como fiscalizar? E como pu­­nir centenas de pessoas entoando um canto ofensivo? "Temos de ver o que será competência nossa na fiscalização", declara o coronel Jorge Costa Filho, comandante do Policiamento da Capital. Ontem, o ministro do Esporte, Orlando Silva, cobrou ação policial para o cumprimento da lei.

A reportagem tentou entrar em contato com a torcida organizada Fúria Independente, do Pa­­ra­­ná, mas não obteve resposta.

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