
A partir de agora, violência no estádio é crime passível de pena de um a dois anos de reclusão. A lei que modifica o Estatuto do Torcedor foi sancionada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas havia sido aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. A intenção é que não se vejam mais cenas como as ocorridas no Couto Pereira, no fim do ano passado, quando o Coritiba foi rebaixado e vândalos invadiram o campo.
A responsabilidade de fiscalização foi estendida às próprias torcidas organizadas. A nova norma determina que elas tenham um cadastro atualizado de seus integrantes e as responsabiliza civilmente pelos danos causados por associados a até 5 km dos locais dos jogos.
As mudanças causaram revolta nos dirigentes das facções. Na Os Fanáticos, por exemplo, foram recebidas como apenas um pretexto para banir as organizadas até a Copa de 2014.
"Realmente temos receio disso. É um projeto deles culpar as organizadas pelo problema de segurança pública. As autoridades parecem preferir o anonimato. Sendo que aqui em Curitiba, por exemplo, o cadastro está aberto. Temos trabalhado em conjunto com a polícia. Não podemos ser culpados por atos de pessoas a 5 km de distância. Quem deveria ser punido são as pessoas e não as torcidas", diz o vice-presidente da facção, Juliano Rodrigues.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, foi confuso ao falar sobre o assunto ontem. Primeiro fez uma defesa das organizadas. "Eu sou daqueles que acreditam que são organizações legítimas de jovens do Brasil. Elas fazem um espetáculo à parte", discursou, para emendar: "Não podemos punir uma instituição inteira por um irresponsável."
Em seguida, porém, defendeu a nova lei. "É um estímulo para que as torcidas tenham mecanismos para selecionar e cuidar daqueles que compõem a sua família", afirmou.
Na versão do governo federal, a ideia é que os estádios voltem a ser um ambiente familiar e respeitável. Por isso, as mudanças não se restringiram apenas às torcidas. Teoricamente, a cadeia espera os cambistas e os árbitros de futebol corruptos. Também está proibido portar cartazes com mensagens ofensivas, utilizar fogos de artifício e entoar "cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos".



