
Londres - O paranaense Flávio Reitz relutou, mas quando se rendeu ao salto em altura paralímpico mostrou ser o melhor do país na classe F42. Nessa segunda-feira (3), ele participou da final da modalidade e terminou em quinto lugar nos Jogos de Londres, nesta que foi a estreia dele em competições internacionais.
"Eu treino na modalidade há apenas um ano e meio. Esta foi minha primeira Paralimpíada, foi a minha primeira convocação para a seleção, minha primeira viagem para fora do país", enumera o atleta de 25 anos. "Nunca fiquei tão ansioso na minha vida como no dia da final. Não dormi, não almocei direito. Nervosismo de quem está nos Jogos e quase não acredita", complementa.
Natural de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, Reitz teve de amputar a perna esquerda por causa de um tumor no fêmur (maior osso do corpo humano), descoberto aos 15 anos de idade. Na cidade natal, ele praticou handebol em cadeira de rodas, antes de se mudar para Itajaí (SC), onde iniciou, de fato, o contato com o atletismo.
No entanto, ele "teimou" em não ir para o salto em altura. Apesar de mostrar facilidade em pular pequenos muros e cadeiras somente com a perna direita, ele começou no arremesso de peso e no lançamento de dardo. "Minha técnica [Luci de Barros] me incentivou a praticar essa prova diferente para amputados. Ela viu [o esporte] em um vídeo e ficou me provocando, me instigando a praticar os saltos. Eu fiquei meio relutante, mas, com o tempo, ela me dobrou", relembra.
E a aposta foi certeira. Com pouco tempo de prática, Reitz tornou-se o destaque do país em uma das modalidades mais complicadas disputada pelos paratletas no atletismo. Com uma perna, eles precisam coordenar a corrida, a impulsão e o posicionamento do corpo para superar o obstáculo. "Salto em altura é complicado. Já com as duas pernas, é difícil tecnicamente. Como uma perna só, é muito mais, mas estou aí dando a cara para bater", diz o atual recordista brasileiro.
A melhor marca pessoal de Reitz era de junho deste ano: 1,65 m. Em Londres, ele melhorou e alcançou o salto de 1,68 m. Valeu, segundo ele, a experiência para poder brigar pelo alto do pódio no Rio, em 2016. "Vim para aprender com o ambiente, a estrutura, as pessoas. Saio daqui acreditando que é possível [ser o melhor do mundo]. Meus adversários são fortes, mas com mais treino acho que posso superá-los. Vou tentar ganhar em casa daqui a quatro anos", projeta Reitz que, agora, terá um ciclo paralímpico completo antes dos Jogos no Brasil.
O ouro da prova foi para as Ilhas Fiji (Illiesa Delana). Girisha Nagarajegowda (Índia) e Lukasz Mamczarz (Polônia) completaram o pódio. Todos pularam 1,74 m.
* O jornalista viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro



