
Se o "atalho para a Copa Libertadores" Atlético, Coritiba e Paraná ainda não conseguiram encontrar onde fica, pelo menos uma coisa a Copa do Brasil tem rendido: desde 1999, quando a CBF ampliou o número de participantes da competição para 64, todo ano o trio ganha nova chance para "descobrir (ou redescobrir) o Brasil".Não fosse a competição nacional, nossos clubes jamais teriam a oportunidade de enfrentar o Sampaio Corrêa (Maranhão), a Desportiva (Espírito Santo) e o Trem (Amapá). Ou então, o Vilhena, de Rondônia, e o Cerâmica, do Rio Grande do Sul, respectivamente, adversários na estreia de Atlético e Paraná, amanhã.
"Todo mundo quer saber se é de comer ou de calçar", diz Ivair Cenci, técnico da equipe do Norte do país, sediada a 2.431 quilômetros de Curitiba. Também não é para tanto. Mas, de fato, neste início de disputa, o desconhecimento sobre o oponente e o local da partida são, possivelmente, o maior obstáculo para os nossos clubes e motivo de curiosidade para os torcedores.
"Nós somos um clube ainda muito novo. Então é normal que as pessoas se perguntem. Mas temos planos ambiciosos, queremos nos firmar como uma agremiação importante do nosso estado", afirma Décio Becker, presidente do Cerâmica.
Fundado em 1950, o time de Gravataí cidade da região metropolitana de Porto Alegre profissionalizou-se há apenas três anos, com o objetivo de tornar-se um clube formador de talentos e lucrar com isso. Atualmente, joga a Segunda Divisão do Gaúcho.
"Sempre estive envolvido com o futebol, sou conselheiro do Grêmio. Até que fui convidado pelos dirigentes do Cerâmica e aceitei desenvolver um planejamento estratégico. Acredito que estamos no caminho certo", comenta Becker, dono de metalúrgica no município.
O VEC como é conhecido o Vilhena é um pouco mais velho, fundado em 1991. Embora já tenha dois títulos do campeonato rondoniense (2005 e 2009) na galeria, também ainda procura um caminho. "Somos um clube modesto", define José Carlos Dalanhol, presidente do clube, ou o "Gaúcho do Milho", apelido que mistura a origem do dirigente com sua profissão.
Humildade que o deixa na mira dos espertalhões da bola. Na semana passada, Dalanhol se deparou com um verdadeiro "negócio da China". Um empresário de nome Nelsinho propôs o empréstimo de oito jogadores japoneses para os Lobos do Cerrado por quase nada.
Muito papo pelo celular depois, descobriu-se a jogada. "Ele queria que eu depositasse R$ 600, mas não desbloqueava o dinheiro que havia me prometido. No fim das contas, conseguiu enganar um time de Ji-Paraná, que perdeu R$ 1 mil nessa conversa".
Se têm as mesmas dificuldades dentro de campo, Vilhena e Cerâmica revelam pretensões idênticas dentro dele. "Nós queremos fazer o segundo jogo e conhecer Curitiba. Esse é o principal objetivo da equipe. E estamos muito otimistas", diz o meia Lico, destaque do Cerêmica. Com passagem apagada pelo Coritiba em 2000, ele carrega no nome (Fladimir) e no apelido (homenagem ao ponta-esquerda do Flamengo campeão mundial de 1981) o fanatismo do pai pelo Rubro-Negro da Gávea. "Conhecer a Arena é um sonho para vários de nossos jogadores. Alguns já atuaram por aí, mas outros não. Por isso nós vamos fazer o possível para conseguir não perder por dois gols de diferença (resultado que elimina a segunda partida)", conta o treinador Ivair Cenci.



