
Treinar em um velódromo, no Brasil, já faz a diferença para colocar os ciclistas de pista à frente dos demais, diz a coordenadora do time LiveWright, Dani Genovesi. Não à toa, ela convocou para sua equipe, lançada na semana passada no Rio, quatro paranaenses, todos criados e com resultados significativos por causa da pista de Curitiba, mesmo que o local não seja bem o ideal. O investimento no esporte foi de R$ 3 milhões.
Tanto o velódromo da capital quanto o de Maringá são feitos em concreto e a céu aberto, distantes ainda dos padrões internacionais. Mas foram o suficiente para colocar Davi Romeo, Raul Malaguty, Maique Lourenço e Hyriah Salvador no time carioca, montado com o objetivo de ser a base da equipe nacional em busca de medalhas mundiais e olímpicas.
O novo time treinará na pista utilizada para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, que é coberta e com piso de madeira. "Aqui conseguimos treinar mesmo com chuva e não ficamos tão sujeitos aos treinos sob o frio e o vento", diz Romeo, 26 anos, bronze no Sul-Americano de 2010 e tricampeão brasileiro na prova de quilômetro contra o relógio.
Outros destaques do estado na competição nacional tiveram de começar treinando na modalidade estrada, justamente pela falta de lugar adequado para praticar a modalidade de pista. "É como colocar o Cesar Cielo para treinar a prova dos 100 metros livre da natação em mar aberto e esperar um bom resultado dele na piscina olímpica", compara Dani.
É o caso de ciclistas de Paranavaí que hoje defendem outras equipes, como Cristian da Rosa, campeão brasileiro nas provas de scratch, madison e perseguição por equipes, com o time de Ribeirão Preto (SP), outra cidade carente de um bom velódromo. Os ciclistas de lá treinam nas cidades vizinhas, como Caieiras e Americana.
"Claro que não é só ter o velódromo perto que define um bom atleta. Mesmo sem ter um em Londrina, já venci todas as provas de pista em brasileiros. A Argentina consegue ter menos velódromos do que o Brasil, mas mais campeões", diz o ciclista Luciano Pagliarini, que competiu na modalidade estrada nos Jogos de Pequim, em 2008. Hoje, Pagliarini não compete mais oficialmente.
Mas ele diz que gostaria de ver mais ciclistas com chance de se desenvolver exclusivamente para a modalidade de pista. "Mais cidades do país poderiam ter velódromos. Com R$ 1,5 milhão se constrói um, um baixo investimento para um esporte que pode trazer muitas medalhas para o país no futuro", segue.
Já o quarteto paranaense no Rio terá, além do equipamento esportivo adequado para os treinos (embora o velódromo do Rio não seja recomendado para competições, por causa dos pilares no centro que atrapalham a visão dos juízes e das medidas da pista), o apoio financeiro para eles e mais 11 atletas para intercâmbios em outros países. "Isso vai ser essencial para melhorarmos nossos tempos, competirmos com quem está à nossa frente", diz Davi.
Para o segundo semestre, quatro ciclistas da LiveWright vão passar uma temporada disputando os torneios continentais europeus, como preparação para as etapas da Copa do Mundo.



