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Alan Johnston acena após ser libertado | AFP PHOTO/AWAD AWAD
Alan Johnston acena após ser libertado| Foto: AFP PHOTO/AWAD AWAD

Pelos próximos 59 dias, dirigentes de clubes de futebol de todo o Brasil lutam contra a eterna exportação da mão-de-obra brazuca criada nos mais diversos campos de futebol espalhados pelo país. É a janela das transferências para o exterior, aberta na última segunda-feira (2), e cujo prazo se estende até 31 de agosto. Neste período, os poucos jogadores de destaque do futebol tupiniquim, e até mesmo aqueles não tão talentosos, embarcam para novos desafios na Europa, no Japão, e em outros cantos do mundo, em busca de dinheiro e glória.

Enquanto as riquezas ficam para os bolsos de jogadores e empresários, e nos cofres de poucas agremiações, a pobreza entra em campo, com uma quantidade cada vez menor de atletas de ponta nos clubes brasileiros. Só em dois dias da janela em 2007, vários jogadores conhecidos acertaram a sua ida (ou retorno) para o exterior. No Fluminense, o meia Carlos Alberto deixou o clube para fazer carreira no alemão Werder Bremen. No Santos, Zé Roberto oficializou a sua saída da equipe para voltar ao Bayern de Munique, e o companheiro Cléber Santana se foi em direção ao Atlético de Madrid. Isto só para citar dois times considerados "grandes", os quais pagam alguns dos melhores salários disponíveis no mercado local.

Os clubes do Paraná não escapam dessa "evasão", que acontece duas vezes ao ano. Prova disso foi a recente saída do atacante Denis Marques do Atlético Paranaense na terça-feira (3). O jogador irá atuar pelo Omya Ardija, do futebol japonês. A Terra do Sol Nascente também foi o destino de outros atletas do Furacão, como o artilheiro Washington, desde que a Resolução de Diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – RDI Nº 04/04 –, regulamentou as transferências internacionais a partir do dia 30 de junho de 2004.

Desde aquele ano, ficou definido que a primeira janela se abre logo no início de cada ano, quando jogadores sequer se reapresentam em seus clubes para ingressar no concorrido e almejado mercado europeu, principalmente. A segunda acontece na fase de inter-temporada nas principais ligas de futebol ao redor do planeta. E com voracidade, os clubes da Europa vêm "fazer compras" no Brasil, levando os mais destacados atletas do país.

Jogadores deixam o país cada vez mais jovens

Com apenas 19 anos, o volante Lucas, do Grêmio, vai vestir a camisa do Liverpool, um dos principais times da Inglaterra. Em anos anteriores, ao redor da mesma idade da mais recente revelação do Tricolor gaúcho, outros dois apoiadores criados no Estádio Olímpico, e que hoje contam com um prestígio internacional – Ronaldinho Gaúcho e Anderson – rumaram para o futebol europeu. E pouco deixaram, a não ser saudade e algum dinheiro, ao time que os formou.

O caso vivido pelos gremistas é vivido também pelo rival local, o Internacional. O jovem atacante Alexandre Pato é alvo de especulações e a sua saída é tida como certa antes do dia 31 de agosto. O Milan é apenas um dos destinos especulados para o jogador, nascido na cidade de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná.

A lista de especulações é extensa. No Flamengo, o goleiro Bruno e o meia Renato Augusto estão de malas prontas para o Velho Continente, mesmo trajeto já percorrido por Lenny, do Fluminense (o jogador foi contratado pelo Sporting Braga, de Portugal). No São Paulo, tido como o clube mais organizado do Brasil, o ala Ilsinho puxa a lista de possíveis candidatos a vestir uma nova camisa no exterior, que conta ainda com o atacante Leandro e o meia Souza.

No Paraná Clube, o "produto" em evidência é o atacante Josiel, artilheiro do Campeonato Brasileiro com nove gols. O presidente do Tricolor, José Carlos de Miranda, confirmou sondagens de empresários, e assegura que se algum clube pagar a multa rescisória de pouco mais de R$ 10 milhões, leva o jogador. Pelo menos nesse caso, o clube levaria a maior parte do valor, já que o Paraná detém 90% do passe de Josiel. Contudo, na maioria dos casos, os valores costumam ir parar nos bolsos dos empresários e procuradores.

Repatriados e "futebol-resultado" ofuscam futebol nacional

Com os melhores jogadores e algumas das mais esperadas promessas deixando o futebol brasileiro, o que resta aos clubes? A resposta, por enquanto, vem da "criatividade" dos dirigentes tupiniquins em selecionar bons jogadores, e da repatriação de velhos conhecidos, que geralmente retornam ao Brasil após um período de sucesso (ou fracasso) no exterior, já em fim de carreira.

Recentemente, o Santos acertou os retornos de dois ex-Furacão ao país: o meia Kléberson e o atacante Kléber. Os dois ainda aguardam algumas pendências para serem apresentados, mas depois de um período longe do país, voltam para tentar dar um brilho ao futebol cada vez mais carente de bons talentos, que acaba refém do chamado "futebol-resultado", o qual prima pelos resultados, deixando para trás o legado do "futebol arte" ao qual os jogadores brasileiros sempre estiveram associados no passado.

A lista de jogadores conhecidos que podem reaparecer em clubes nacionais também não é pequena. Nomes como os do zagueiro Roque Júnior, do lateral-esquerdo Athirson (ambos recém-saídos do Bayer Leverkusen-ALE), do atacante França (atualmente no Kashiwa Reysol-JAP) são sempre ventilados pela imprensa e por dirigentes, em busca de reforços que possam dar alguma vantagem em competições como o Campeonato Brasileiro. Sem muitos "jogadores fora de série", o equilíbrio deixa cada vez menos alternativas aos clubes considerados tradicionais, abrindo brecha para equipes com um bom departamento de futebol, responsável por "garimpar" bons atletas desconhecidos no mercado.

E enquanto uma legislação mais clara não for colocada em prática, esse será o "caminho das pedras" para as agremiações brasileiras, tradicionais, grandes, ricas, ou não.

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