Um garoto de Nortelândia, cidade do Mato Grosso, nunca mais vai esquecer a noite do dia 27 de maio. Por volta das 19h30, ele começou a viver no Mineirão o dia mais especial da curta carreira de jogador de futebol. Éverton, 19 anos, foi a escolha do técnico Pintado, que estreava no Tricolor, para mudar um panorama praticamente irreversível e dar a vitória e a liderança do Brasileiro ao Paraná.
Aos 32 minutos do segundo tempo, ele entrou no gramado em Belo Horizonte. E a estrela do menino passou a brilhar mais que as cinco que o poderoso Cruzeiro ostenta na camisa. Em cinco minutos, um passe para o gol de empate de Josiel (artilheiro do Brasileiro com cinco gols) e a oportunidade, aproveitada, de marcar o gol da vitória.
"Essa é bola é bem treinada", explicou Everton. "O Parral foi no fundo e eu tive a sorte de pegar bem na bola".
Foi o quarto gol que manteve uma série sem derrotas seis vitórias e um empate para o Cruzeiro, que vem desde 2003.
Eufórico, Éverton sabia do momento especial que estava vivendo. "Com certeza, este é o gol mais importante. A ficha não caiu ainda", disse. Ousado como em campo, ele não perdeu a chance de pedir uma vaguinha no time titular ao técnico Pintado: "Desde o Paranaense venho buscando espaço, quem sabe não é agora?".
A resposta não veio completa, mas com uma deixa do treinador. "Esse meninos que vem chegando com muita vontade fazem a diferença", afirmou Pintado.
Responsáveis diretos pela vitória do Paraná em Minas, Pintado e Éverton devem conversar mais sobre isso ao longo da semana, enquanto se preparam para defender a liderança contra o São Paulo. A personalidade demonstrada pelo meia tricolor supera a inexperiência. "Quando você está num momento bom não tem idade. A cada jogo eu vou evoluindo mais", disse Éverton, candidato a novo xodó na Vila Capanema, com a saída de Dinélson.
Da Vila para a seleção brasileira
O técnico Pintado ficou realmente empolgado com a estréia dele no Paraná. Os 4 a 3 sobre o Cruzeiro, no Mineirão, que deram ao Tricolor a liderança do Nacional fizeram ele sugerir algo a Dunga, da seleção brasileira. "Nosso time é muito forte. Tem jogadores aqui que logo serão convocados para a seleção", avisou.
As chaves do jogo
Que sono!
Pelo menos quatro vezes o Paraná entrega perto da sua área. Em uma cortesia de Daniel Marques, Guilherme faz o gol do Cruzeiro.
Na hora exata
A paulada de Joélson na cobrança de falta do meio da rua, aos 46 da etapa inicial, empata o jogo apenas três minutos após o Cruzeiro abrir o placar.
Prêmio ousadia
Após a expulsão de Toninho, o técnico Pintado coloca Vandinho e Éverton. A ousadia é o segredo da virada paranista.



