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Memória

Façanha de Guga não acordou o tênis do país

Uma década após o catarinense chegar ao topo do ranking mundial, modalidade segue estagnada e sem perspectivas

 | José Manoel Ribeiro/ Reuters
(Foto: José Manoel Ribeiro/ Reuters)

Há 10 anos, em um dia 3 de de­­zem­­bro, Gustavo Kuerten batia Andre Agassi na final do Masters Cup de Lisboa e tornava-se o te­­nista número 1 do mundo – "Foi a vitória mais importante da minha carreira", disse ontem o catarinense. O feito impulsionou como nunca o esporte no país, fazendo a molecada abarrotar as escolinhas. Uma década mais tarde, qual o efeito da "Era Guga" para o tênis no Brasil?

A empolgação passou e quase nada mudou. Não surgiu outro tenista da categoria do catarinense – até aí, tudo bem, afinal, Kuerten foi um fenômeno de raquete nas mãos. O problema é não ter chegado nem perto. Atualmente, Thomaz Bellucci é o brasileiro melhor colocado no ranking da Associação de Tênis Profissional, ocupando a 31.ª posição.

"Poderíamos ter aproveitado muito melhor o embalo do Guga. Evoluímos pouco. Mas os jogadores seguem na luta, precisamos ter um pouco de paciência", afirma Teliana Pereira. Pernam­bucana por nascimento, paranaense por adoção, ela foi a número 1 do ranking feminino brasileiro em 2005 e medalha de bronze nas du­­plas no Pan-Ameri­­cano do Rio de Ja­­neiro, dois anos depois.

A situação do esporte de base, de uma forma geral, é ainda mais complicada. Neste caso, o estágio atual pode ser comparado ao da época de Maria Esther Bueno, maior tenista brasileira, campeoníssima nos anos 60. A modalidade ainda é para poucos, praticada apenas dentro dos clubes sociais.

"Posso falar pois a minha filha Isabela aproveitou uma boa fase de torneios juvenis. Há três anos, tínhamos cinco bons torneios. Hoje está muito mal. Melhorou um pouco para quem está começando no profissional, como ela. Mas na base, infelizmente, vivemos a pior fase possível", diz Gi­­sele Miró, principal tenista pa­­ra­­naense, medalha de ouro no Pan-Americano de In­­dianápolis, em 1987, já aposentada.

Os avanços foram pequenos. Por exemplo, a reorganização da Confederação Brasileira de Tê­­nis, que chegou a ficar sob intervenção no auge de Kuerten e hoje conta com o patrocínio dos Correios. A entidade também passou a apostar na capacitação dos professores de tênis, elevando o nível e a remuneração da classe.

Para ir além e, quem sabe, contar no futuro com um brilho maior no cenário internacional, não há outro caminho que não a disseminação do esporte. "Hoje não se aprende tênis na escola, nem mesmo na faculdade. Praticamente não temos quadras públicas. No Pa­­ra­­ná, temos cerca de 60 mil tenistas e não devemos ter 15 quadras públicas no estado", declara José Gui­lher­­me Da­­ne­­lon, presidente da Fe­de­­­­ração Para­naense de Tênis.

Outro ponto a ser melhorado é uma reclamação antiga dos praticantes.

"O material é muito caro. Um tubo de bola custa entre 20 e 30 reais e se jo­­ga uma vez. Não temos outra alternativa, só há material importado. O tênis é um esporte individual e é difícil ter algum tipo de mobilização", comenta Gisele Miró.

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