
Senhor do Bonfim (BA) Eles parecem meros coadjuvantes, mas são protagonistas para o sucesso ou o fracasso de uma equipe. Orientando e alertando os pilotos de carros e caminhões dos perigos nas ousadas e arriscadas trilhas do Rally Internacional dos Sertões, os navegadores têm a importante missão de fazer com que seus parceiros possam se concentrar ao máximo na tarefa de chegar ao fim do trecho cronometrado no menor tempo possível, livres da preocupação de tomar o rumo errado e sem temer um inesperado obstáculo à frente.
Para isso, eles interpretam as informações constantes em um caderno chamado de planilha, espécie de mapa codificado com símbolos, quilometragens e breves descrições sobre o caminho a seguir. Ela é entregue um dia antes da etapa especial (cronometrada), durante o briefing (reunião entre os organizadores do rali e as equipes para discutir a prova do dia seguinte). Com a planilha em mãos, eles acompanham a quilometragem dos odômetros digitais dos veículos e localizam a sua respectiva referência. Fácil? Nem tanto. "Um navegador deve ser calmo, paciente e detalhista. Se ele se estressar, se confunde mais facilmente e não deixa a corrida fluir", explica Wagner de Paula, o Wagão, navegador que no Sertões faz dupla em uma picape com o piloto Pedro Gouveia Júnior.
Em uma corrida com etapas longas, como as que ocorrem no Sertões (que nesta 15.ª edição conta com percursos diários de quase 700 quilômetros, entre deslocamentos e etapas especiais), os navegadores chegam a passar oito horas concentrados na planilha, enquanto, aos sacolejos, passam informações aos pilotos. Tudo sob condições de severa adversidade, como o forte calor (agravado pelo uso de macacão e capacete) e o cansaço de conseqüentes jornadas diárias na cabine. Para aumentar a pressão, um caminho ou coordenada errada pode resultar na perda de minutos preciosos, seja pelo tempo gasto para retornar ao rumo certo, seja por uma eventual punição.
Se as duplas não têm vida fácil, o que dizer de quem precisa navegar e pilotar ao mesmo tempo? É o caso dos competidores entre as motos e quadriciclos, que levam a planilha acoplada sobre o painel do veículo, no meio do guidão. Mas no rali tudo tem a sua manha. Joaquim Rodrigues, o Juca Bala, piloto que disputa o Sertões na categoria até 450 cilindradas, revela a sua. "Adoto uma estratégia de guardar as referenciais da planilha de três em três, porque se eu ler uma a uma perco muito tempo."



