
A vinda dos Jogos Olímpicos para o Rio de Janeiro, em 2016, não agrada a todos os esportistas. Não, pelo menos, aos automobilistas. Tudo porque o caderno de encargos da Rio-2016 inclui a demolição do autódromo de Jacarepaguá para a construção da Vila Olímpica.
O fim de uma das mais tradicionais pistas do país levanta, entre os pilotos, o pedido de novos locais para competir. O Paraná tem, hoje, três autódromos: Raul Boesel, em Curitiba; Ayrton Senna, em Londrina; e Zilmar Beux, em Cascavel. Os dois primeiros recebem etapas da Stock Car, além de competições internacionais Londrina abriga uma etapa da Fórmula 3 Sul-Americana e Curitiba recebeu etapas do WTCC até este ano em 2011, receberá a GT1.
Cascavel, por sua vez, passou os últimos anos subutilizado. O autódromo, que já foi sede de grandes eventos nas décadas de 1970 e 80, atualmente recebe apenas provas locais de arrancada. Um acordo entre a prefeitura de Cascavel e os atuais proprietários do local pode devolver ao autódromo a movimentação do passado. "É uma pena que não tenhamos muitos locais em boas condições para correr. Interlagos precisa de reformas, Jacarepaguá vai deixar de existir, No Nordeste, nossa única prova é em Salvador, em um circuito de rua. Lógico que onde tiver condições de receber grandes provas, iremos correr com prazer", diz o tricampeão da Stock Car Cacá Bueno.
Os sócios da Sociedade Anônima do Autódromo Zilmar Beux vão doar 35 dos 39 alqueires da área para a prefeitura, que se responsabilizará pelas obras de revitalização do local, que incluem o alargamento da pista, para garantir as seguranças das provas. "Serão mantidas as características do circuito, que incluem vários pontos de ultrapassagem", afirma Miguel Beux, filho de Zilmar e diretor comercial da S.A.
Em contrapartida, poderão lotear os quatro alqueires restantes e vendê-los a empresas comerciais e industriais. "Temos no local um belo complexo ecológico e uma das melhores pistas do país. Queremos investir no local para reconquistar várias competições, como a Fórmula Truck, que teve suas primeiras corridas em Cascavel. Já recebemos todos os grandes pilotos, os Piquet, Barriquello, Senna", afirma o prefeito da cidade, Edgar Bueno. "Sem gastarmos com a compra do autódromo, poderemos resgatar a tradição do automobilismo na cidade, movimentar o comércio, relançar o nome de Cascavel no cenário nacional", complementa.
A doação do local deve ser concretizada em janeiro de 2011 para que, em fevereiro, se iniciem as obras. "Queremos reavivar a fama que tivemos no passado. Éramos conhecidos como a Watkins Glen brasileira", afirma Beux, referindo-se à pequena cidade do estado de Nova York, que recebia provas da Fórmula 1. Em dias de provas, a população da cidade duplicava e podia ser toda encontrada nas arquibancadas do autódromo. "Em Cascavel era a mesma coisa. Os pilotos esperavam dias de corrida aqui. E isso pode voltar a acontecer", destaca o diretor comercial.



