Destaques do Rio Branco no Campeonato Paranaense, o volante Ives e o meia Renan Meduna vêm sendo citados como possíveis reforços do Coritiba para a Série B do Campeonato Brasileiro. No entanto, apesar das boas atuações pelo Leão, a dupla pode seguir o caminho de outras revelações vindas do interior e deixar o futebol paranaense antes de ter chances em times da capital.
Um exemplo é o atacante Ricardo Bueno, ex-Londrina. Quando atuou pelo Tubarão no Estadual do ano passado, o avante ganhou evidência ao marcar um gol contra o Paraná, na Vila Capanema, considerado um dos mais bonitos da competição. O bom desempenho no torneio, porém não foi suficiente para que o jogador chamasse a atenção de um dos três principais clubes da capital. Foi parar no Grêmio e hoje é vice-artilheiro do Campeonato Paulista, defendendo o Oeste.
Para o presidente do clube de Paranaguá, João Carlos Frumento, os talentos do interior deveriam ser mais bem aproveitados pelo trio de ferro. Segundo ele, isso seria uma forma de fortalecer o futebol do Estado.
"Lamento que não aproveitem os jogadores do interior. Daí sempre surge àquela conversa de que nosso campeonato é nivelado por baixo. Se montássemos uma seleção com os melhores do interior, poderíamos disputar a Série B. Os times de Curitiba não costumam valorizar, mas outros times observam e contratam", disse.
"Temos de nos fortalecer, para o melhor do nosso futebol. Quero mais que eles vão para Curitiba e "estourem". Por que depois vão lembrar que vieram de clubes do interior", emendou Frumento.
Os atacantes Adriano e Negreiros, que vestiram as camisas de ADAP/Galo e Rio Branco, respectivamente, também não passaram por equipes da capital antes de se transferirem para Internacional e Flamengo.
No entanto, talvez nenhum outro nome represente essa prática tão bem do que o de Élber. O atacante, que entrou para a história como o maior goleador estrangeiro da Bundesliga, o Campeonato Alemão, pouco atuou pelo time profissional do Londrina, onde nasceu. Com apenas 18 anos, mudou-se para a Europa, onde traçou uma carreira recheada de títulos e gols.
"O problema não é só com os clubes de Curitiba. Hoje em dia tem gente observando jogadores em todo lugar e, às vezes, não dá nem tempo de ver um jogador em campo, que ele já está se transferindo", pondera Élber, que hoje trabalha como olheiro de sua ex-equipe, o Bayern de Munique, na América do Sul. "Em outros casos, se o clube tem na base um jogador similar ao de um do interior, vale mais apena apostar em quem já conhece", emenda.



