
O sonho acabou. Se durante toda a competição o Atlético reclamou de erros de arbitragem, quando precisou apenas de si para seguir vivo na competição, a equipe esbarrou em um Ceará que teve um homem a menos durante 45 minutos. O placar de 1 a 1 em Fortaleza escancarou a principal deficiência atleticana: o ataque. E, sem Paulo Baier, que esteve suspenso, ninguém conseguiu ser herói nos minutos finais.
"Perdemos para nós mesmos", reclamou o volante Claiton, que entrou no decorrer da partida. O técnico Sérgio Soares mandou a campo cinco jogadores ofensivos no segundo tempo Netinho, Bruno Mineiro, Maikon Leite, Guerrón e Branquinho, mas nenhum conseguiu o gol que manteria a equipe viva na última rodada. "Jogamos o segundo tempo com um a mais e não soubemos aproveitar. Não pode, o time lutando pela Libertadores, jogar do jeito que jogou", esbravejava Claiton.
E o empate, em outras circunstâncias, seria lucro, já que além de uma bola na trave, o goleiro Neto fez uma defesa espetacular em uma cabeçada à queima roupa. "Não pode sofrer a pressão que sofreu com um a mais", cobrou o lateral-esquerdo Paulinho. Ele, que cruzou a bola para o gol de Rafael Santos, não entendeu uma jogada ensaiada com Branquinho, que acabou gerando o contra-ataque do gol cearense. "Eu devia ter batido a bola na área", reconheceu Branquinho, que teve atuação decepcionante.
Com o empate no Nordeste e as vitórias de Grêmio e Botafogo, o G4 ficou inatingível, uma vez que os concorrentes têm confronto direto na última rodada. Com 57 pontos, o Furacão pode chegar a 60 pontuação atual do time gaúcho mas mesmo melhor nos critérios que o rival, ficaria atrás dos cariocas em caso de vitória botafoguense, que tem 59 pontos.
A equipe vai conseguir a melhor campanha (ficará entre quinto e oitavo) desde o vice-campeonato de 2004, mas ficou sem a Libertadores. E os jogadores, sem uma premiação prometida em caso da classificação e outra extra, então articulada por conselheiros e torcedores. Dinheiro que fará falta no bolso dos atletas, mas que em 2011 pode ser aplicado para solucionar a deficiência crônica no ataque.
Durante a temporada, o clube fechou os cofres, desistindo de Ilan ou Washington, recusou Kléber, então no Inter (agora no Vitória), e dispensou, por indisciplina, o ídolo Alex Mineiro. Apostou alto em Guerrón e Branquinho, que corresponderam até certa altura, mas insistiu em demasia com Bruno Mineiro, Nieto e outros.
"Tentamos tudo que poderíamos fazer dentro do que nós temos", justificou o técnico Sérgio Soares. A despedida, no próximo final de semana contra o Avaí, em casa, só tem uma motivação: encerrar com saldo positivo. Com 16 vitórias (quarto melhor nesse índice, ao lado do Grêmio), o saldo de -3 gols comprova o grave defeito rubro-negro.
Sérgio Soares já orquestra novo time
Robson Martins
O técnico Sérgio Soares já deu algumas dicas do que espera do Furacão para 2011, mesmo afirmando que o planejamento para a próxima temporada só será aprofundado após a última rodada do Brasileiro, no domingo.
"Quero uma equipe de velocidade e com reposição rápida. Precisamos ir atrás [de outros atletas]", disse o treinador atleticano, já sabendo que alguns dos atuais jogadores vão sair do clube, "por terem propostas ou por opção".
Um dos que devem ficar é o meia Paulo Baier, que ontem desfalcou o Atlético, por estar suspenso, e hoje deve ter uma reunião que definirá a sua renovação para o ano que vem. Por outro lado, uma das posições que preocupam o técnico é a de centroavante.
"É necessário [um camisa 9], mas não está fácil. O dinheiro é curto", admitiu Soares. "Estamos tentando conseguir o melhor possível", complementou o treinador, afirmando que Nunes, atualmente no Vasco, pode ser uma opção.
Mesmo sem saber com quem poderá contar, o técnico atleticano contou que a ideia é não demorar para formar o time, podendo assim começar forte na Sul-Americana, no Brasileiro, na Copa do Brasil e até no Paranaense de 2011.
"O Estadual não está descartado de forma alguma. O planejamento é montar um elenco forte para começar brigando por título", garantiu Soares. "Para a temporada que vem, tem que começar pensando em conquista. Não sair de baixo para depois se recuperar, como foi este ano", lembrou o comandante atleticano.




