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Brasileiro

Fé na salvação

Atlético resgata química perfeita da Arena, bate o xará mineiro e deixa a zona de risco

O Lamborghini de Feldmann e Bonifácio foi mais rápido durante todo o fim de semana e ainda contou com um pouco de sorte | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
O Lamborghini de Feldmann e Bonifácio foi mais rápido durante todo o fim de semana e ainda contou com um pouco de sorte (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

"Haja coração!". O bordão da tevê é batido, mas mostra como foi o duelo dos Atléticos na Arena. Com a corda no pescoço, o Furacão tinha que vencer o xará de Minas para sair da zona de rebaixamento. E conseguiu. No sufoco.

O técnico Ney Franco colocou em campo um time com um esquema diferente. A mudança atendeu o anseio da galera, que foi em grande número à Baixada. Aliás, a Arena estava com uma energia diferente. Talvez reflexo do culto ecumênico feito no CT do Caju para afastar os maus olhados. O certo é que a sinergia time-torcida fez com que o Atlético fosse outro logo de cara.

Mas o Galo não era de matar com a unha. E foi se acertando em campo, segurando o Furacão. Os mais de 13 mil corações rubro-negros empurravam o Atlético. Era bola para a área toda hora, mas a zaga alvinegra, eficiente, cortava. De cabeça, com os pés, com o peito. Até que Marquinhos, ex-Coxa e Paraná, fez o que não podia: cortou um chute de Valencia com o braço, na área. Rodrigo Cintra não titubeou. Ramón fez de pênalti o gol da vitória. "Hoje é jogo de garra", disse o meia-artilheiro. Eram 29 minutos do primeiro tempo.

Àquela altura, os batimentos cardíacos dos atleticanos (paranaenses ou mineiros) eram acelerados. Restava saber se na segunda etapa, os donos da casa sairiam do sufoco. O ritmo não diminuiu. Claiton e Valencia comandavam o meio atleticano, que tinha em Pedro Oldoni um atrapalho nos arremates. Os mineiros respondiam com Coelho e Danilinho, quase sempre através de faltas. Valencia cansou e saiu; Antônio Carlos, que comandou a linha de três zagueiros, cansou e saiu. Pedro Oldoni esgotou a paciência de Ney Franco após perder um gol na cara de Édson e foi substituído por Geílson.

Mal sabia que ele daria as maiores emoções pós-gol. Com Leão mandando o Galo para cima, o Atlético se segurava bem. Até os 40, quando Geílson se machucou e deixou o Furacão com dez em campo. A tensão tomou conta da Baixada.

Para apertar o coração atleticano, a arbitragem deu mais seis minutos de jogo. Pressão mineira, que foi abafada pela entrega dos jogadores e a voz da torcida. Marquinhos quase empatou aos 48, quando Viáfara (heróico) dividiu e evitou o gol. Ainda deu tempo de Claiton perder um gol feito.

Não importava mais. O apito final fez os corações baterem aliviados com a fuga da zona de rebaixamento. Festa (e alguns protestos) foram ouvidos.

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