
Não faltam chapéus e botas. Sucessos de duplas musicais, então, nem se fala. Novas casas noturnas à moda country abrem suas portas. Uma febre difícil de explicar em uma cidade com vocação agropecuária zero. Pois, a partir de hoje, os fãs desse estilo terão acesso a um ícone do movimento cowboy. No galope da febre sertaneja que contagia Curitiba, chega à capital o principal circuito de rodeios do país. Cerca de 70 mil pessoas são esperadas nos quatro dias do Super Bull, até domingo, no Expotrade.
A competição é a antepenúltima etapa da temporada 2011. O torneio com a elite da montaria no país começou no Paraná, em Paranavaí, percorreu mais de 30 cidades, a maioria pelo interior paulista. Entre as capitais, só Cuiabá e Campo Grande, onde a tradição pecuária está bem mais próxima dos grandes centros. E, agora, desembarca por aqui.
"Está nos planos da Santarena [empresa responsável pela organização do evento] a expansão pelo Sul do país e, das cidades-chaves, a primeira delas tinha de ser Curitiba", afirma Gustavo Ferreira, um dos correalizadores.
"Esse movimento sertanejo é muito forte aqui, tornou-se um cartão de visitas. Já houve um histórico de rodeios, com feiras agropecuárias e eventos em São Luiz do Purunã [nos Campos Gerais]. Não é só a música, é um estilo de vida. Acreditamos que a cidade será muito receptiva", reforça Ferreira, amparado na grande procura pelos ingressos.
Os organizadores contabilizam 18 milhões de pessoas nos 250 eventos da Santarena neste ano em todo o país, atraídos pela mistura entre shows e o desafio dos peões. Para se ter uma ideia do apelo, o público da Série A do Campeonato Brasileiro em 148 jogos foi de 2.088.642, segundo o site da CBF.
Embasados pela chancela do Ministério do Esporte, os organizadores querem turbinar o evento como competição, seguindo uma tradição esportiva muito forte nos Estados Unidos. Segundo a entidade Professional Bull Riders (PBR), antes os torneios no Brasil eram isolados, sem um circuito ou uma pontuação única.
"Transformamos a montaria em esporte e o mundo do rodeio em um grande negócio. No interior, somos o maior negócio de entretenimento. As cidades pequenas nos conhecem. Nas grandes cidades não têm essa aderência. Conhecem futebol, o automobilismo, e a intenção é que agora passem a conhecer o rodeio como esporte", defende o presidente da PBR Brasil, Flávio Junqueira.
Em expansão, o campeonato nacional atingirá a maior premiação do mundo na temporada de 2012. A previsão inicial é de que o vencedor do próximo ano ganhe R$ 2 milhões somente pelo título.



