A venda antecipada de ingressos, uma das determinações do Estatuto do Torcedor para evitar tumultos na bilheteria dos estádios, não vem sendo cumprida corretamente no Campeonato Paranaense. A demora da entidade para confirmar as datas e horários das partidas está obrigando os clubes a desrespeitar a determinação de um prazo mínimo de 72 horas para o início da comercialização das entradas.
Somente ontem a entidade confirmou as datas e horários da 5.ª rodada, que será disputada amanhã e quinta-feira. Com isso, os clubes com jogos marcados para quarta-feira ganharam pouco mais de 48 horas para vender os bilhetes. O mesmo já havia ocorrido nas três primeiras rodadas da competição.
A Federação utiliza uma interpretação da lei, em vigor desde 2003, para se defender. Na elaboração da tabela, a entidade estipulou duas datas (quarta ou quinta-feira nas partidas intermediárias; sábado ou domingo nos finais de semana) para cada rodada.
Nem o aperto com os ingressos nem as dificuldades de planejamento criadas pelo conhecimento tardio dos próximos compromissos fazem os clubes reclamarem. Somente o Paraná mostrou insatisfação com o caso. "Atrapalha a comissão técnica e a logística não saber quando vamos ter de viajar para o interior. Já passamos isso para a Federação", disse o vice-presidente de futebol José Domingos, que no início da semana passada perdeu uma tarde ao telefone tentando descobrir a data da partida contra o União.
A dupla Atletiba mostrou-se indiferente. "É mais cômodo saber com antecedência nossos próximos movimentos, mas não são mudanças significativas na tabela. Quem poderia reclamar, e não o está fazendo, é o torcedor", disse o presidente rubro-negro João Augusto Fleury.
"Somos organizados. O tempo que temos é suficiente para programarmos as viagens", desdenhou o diretor de futebol alviverde Almir Zanchi, responsável pelo departamento técnico da Federação quando o regulamento do Paranaense foi aprovado.
"O campeonato está dentro da lei. O Estatuto dá essa brecha", defendeu Zanchi. No artigo 5.º, o texto exige a divulgação completa com data, horário e local das partidas, mas não cita quando isso deve ser feito. Porém o artigo 9.º preenche essa lacuna, especificando que o processo precisa ser concluído 60 dias antes de a competição começar.
Mesmo reforçando a legalidade do torneio, o dirigente usou uma frase politicamente incorreta para encerrar o assunto. "Se as leis no Brasil fossem todas cumpridas, não seria o Brasil e sim a Suíça", finalizou.
O presidente da FPF, Onaireves Moura, se irritou ao falar sobre o tema. "Estão querendo ver chifre em cabeça de cavalo. Não podemos antecipar as datas e horários dos jogos porque a Polícia Militar não permite duas partidas em Curitiba no mesmo dia e quem tem melhor pontuação leva a preferência para escolher quando quer jogar", comentou.



