
Desempenho na corrida de São Silvestre, em São Paulo, é exclusividade do pelotão de elite. Para quem larga mais atrás, o espírito é de festa no último dia do ano. Enquanto a elite feminina larga, às 16h30 de hoje em frente do Masp, é hora de os 21 mil corredores fazerem os últimos ajustes cadarço bem amarrado, número bem fixado na camiseta e procurar o melhor lugar para começar as passadas.
Depois que a elite masculina começar a prova, às 16h47, o exercício do bom humor e da paciência começa: um atleta amador pode levar até 50 minutos para passar pela faixa que marca o início da mais tradicional corrida brasileira, que chega à sua 86.ª edição.
Por decisão da organização da prova, os atletas poderão correr com a medalha no peito, já que receberão o mimo antes da largada tudo para evitar confusão na chegada, visto que se estima um fluxo de 400 pessoas a cada minuto no fim do trajeto.
No primeiro terço do percurso, o maior desafio não é acertar o pace ou correr no menor tempo. E sim desviar com paciência dos colegas corredores. Há os grupos que levam faixas, formando verdadeiros paredões humanos; há ainda quem traje fantasias que ocupam o espaço de três atletas.
Encarar o início da prova como uma festa é a melhor estratégia. Quem optar por tentar desviar da multidão pode cair num ziguezague pouco produtivo e desgastante. Mas a partir do quinto quilômetro já é possível pensar em se concentrar no cronômetro, no ritmo das passadas e, de fato, correr.
Na São Silvestre tem de tudo: atleta profissional, amador, de fim de semana, que quer pagar promessa, que quer comemorar. Mas a nenhum deles o preparo físico é dispensável. "Tudo o que se exige para uma corrida de 15 km tem de ser respeitado: avaliação médica, treinos bem feitos, cuidado com a alimentação...". A dica é de especialista: o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze na Olimpíada de Atenas e que fez sua despedida como corredor profissional na São Silvestre de 2008.
Neste ano, a esperança brasileira de bater os quenianos é o mineiro Frank Caldeira, campeão de 2006. Enquanto os vencedores já terão subido ao pódio, muitos ainda estarão em busca de seus resultados individuais. E incentivados pelo público, que acompanha os atletas durante todo o percurso. "Isso é o que diferencia a São Silvestre de outras provas. É uma prova que é uma festa, não só para quem corre, mas para as pessoas da cidade, que valorizam o evento", diz o bancário José Alberto Pinton, de 52 anos.
Ele participará de sua terceira São Silvestre e diz não se importar em passar parte da prova em um trote que não ultrapassa os 7,8 km/h na parte inicial da prova enquanto a elite corre, em média, a 17 km/h. "A São Silvestre sempre me lembra infância. Acompanhava a prova quando era à noite, quando os atletas viravam o ano correndo. Há cinco anos, comecei a correr em Curitiba e foi muito emocionante disputá-la pela primeira vez, em 2007", finaliza o bancário.
Os principais favoritos ao título são os quenianos Barnabas Kiplagat Kosgei, Mark Korir e Mathew Cheboi. Os três treinam em Santa Barbara DOeste. Kosgei venceu a Volta da Pampulha no último fim de semana.Ao vivo
Corrida de São Silvestre, às 16h30, na RPC TV



