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São Silvestre

Festa do povão

Tradicional corrida de rua vale mais pela confraternização e pela alegria do que pelo desempenho na luta contra o relógio

O bancário José Alberto Pinton, de 52 anos, vai colocar a terceira São Silvestre no currículo | Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo
O bancário José Alberto Pinton, de 52 anos, vai colocar a terceira São Silvestre no currículo (Foto: Giuliano Gomes/ Gazeta do Povo)

Desempenho na corrida de São Silvestre, em São Paulo, é exclusividade do pelotão de elite. Para quem larga mais atrás, o espírito é de festa no último dia do ano. Enquanto a elite feminina larga, às 16h30 de hoje em frente do Masp, é hora de os 21 mil corredores fazerem os últimos ajustes – cadarço bem amarrado, nú­­mero bem fixado na camiseta – e procurar o melhor lugar pa­­ra começar as passadas.

Depois que a elite masculina começar a prova, às 16h47, o exercício do bom hu­­mor e da paciência começa: um atleta amador pode levar até 50 minutos para passar pela faixa que marca o início da mais tradicional corrida brasileira, que chega à sua 86.ª edição.

Por decisão da organização da prova, os atletas poderão correr com a medalha no peito, já que receberão o mimo antes da largada – tudo para evitar confusão na chegada, visto que se estima um fluxo de 400 pessoas a cada minuto no fim do trajeto.

No primeiro terço do percurso, o maior desafio não é acertar o pace ou correr no me­­nor tempo. E sim desviar – com paciência – dos colegas corredores. Há os grupos que levam faixas, formando verdadeiros paredões humanos; há ainda quem traje fantasias que ocupam o espaço de três atletas.

Encarar o início da prova como uma festa é a melhor estratégia. Quem optar por tentar desviar da multidão pode cair num ziguezague pouco produtivo e desgastante. Mas a partir do quin­­to quilômetro já é possível pensar em se concentrar no cronômetro, no ritmo das passadas e, de fato, correr.

Na São Silvestre tem de tu­­do: atleta profissional, amador, de fim de semana, que quer pagar promessa, que quer comemorar. Mas a nenhum deles o preparo físico é dispensável. "Tudo o que se exige para uma corrida de 15 km tem de ser respeitado: avaliação médica, treinos bem feitos, cuidado com a alimentação...". A dica é de especialista: o maratonista Vanderlei Cor­­deiro de Lima, bronze na Olim­­píada de Ate­­nas e que fez sua despedida como corredor profissional na São Silvestre de 2008.

Neste ano, a esperança brasileira de bater os quenianos é o mineiro Frank Caldeira, campeão de 2006. En­­quan­­to os vencedores já terão subido ao pó­­dio, muitos ainda estarão em busca de seus resultados individuais. E incentivados pe­­lo público, que acompanha os atletas du­­rante todo o percurso. "Isso é o que di­­ferencia a São Sil­­ves­­tre de outras provas. É uma prova que é uma festa, não só para quem corre, mas para as pessoas da cidade, que valorizam o evento", diz o bancário José Al­­berto Pinton, de 52 anos.

Ele participará de sua terceira São Silvestre e diz não se im­­portar em passar parte da prova em um trote que não ultrapassa os 7,8 km/h na parte inicial da prova – enquanto a elite corre, em média, a 17 km/h. "A São Silvestre sempre me lembra infância. Acom­­pa­­nhava a prova quando era à noite, quando os atletas viravam o ano correndo. Há cinco anos, comecei a correr em Curi­­­­­­tiba e foi muito emocionante disputá-la pela primeira vez, em 2007", finaliza o bancário.

Os principais favoritos ao título são os quenianos Barnabas Ki­­pla­­gat Kosgei, Mark Korir e Mathew Cheboi. Os três treinam em Santa Barbara D’Oeste. Kosgei venceu a Volta da Pampulha no último fim de semana.Ao vivo

Corrida de São Silvestre, às 16h30, na RPC TV

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