
O Coritiba recebeu a taça, deu volta olímpica, fez a alegria do torcedor... Mas tudo isso após o término do jogo com o Guaratinguetá. Com a bola rolando, quem teve motivos para festejar foi o clube paulista. Os visitantes bateram o campeão da Série B por 3 a 2, no Couto Pereira, e escaparam do rebaixamento.
A última partida do Coxa na Segundona também foi marcada pelo protesto da torcida organizada Império Alviverde, que se recusou a cantar durante toda a partida. Com faixas pretas e cartazes, a organizada reclamava de "censura", por ainda não poder usar os seus ornamentos dentro do estádio. Irônica, uma das faixas perguntava: "Cantar pode?".
A atuação destes torcedores revoltou muitos que estavam nas sociais do estádio, que dirigiam xingamentos ao setor onde ficava os integrantes da facção.
Alheio ao clima tenso na arquibancada, logo aos sete minutos de partida, o Guarantinguetá, que precisa vencer para livrar-se da Série C, marcou com Léo Silva. O Coxa logo reagiu, empatando no minuto seguinte com Enrico.
Mas o gol de Galiardo, em um frango do goleiro Édson Bastos, e de Marcinho, aproveitando-se de um passe errado de Leandro Donizete, praticamente definiram a derrota alviverde já no primeiro tempo.
"Não jogamos. Não estou aqui para passar vergonha", reclamou o capitão Jéci na saída para o intervalo. O jogador seria, após o tempo regulamentar, a figura emblemática da tarde ao levantar com aplausos a taça da CBF.
Na etapa final a equipe até melhorou, mas só conseguiu marcar o segundo gol aos 33, em um pênalti convertido por Marcos Aurélio.
Após a derrota, o zagueiro Pereira deu a explicação sobre o desempenho fraco da equipe no último jogo da Série B. "Tivemos uma semana atípica. Começamos a treinar na quarta-feira. O pessoal estava com a cabeça nas férias ou nas renovações", admitiu o jogador.
Apesar do resultado, todos os jogadores do Coritiba tentaram esquecer o placar e comemorar o título. "Este grupo tem de comemorar. Não vão ser falhas neste jogo que vão apagar o que fizemos no campeonato", afirmou o goleiro Edson Bastos. "Apesar da derrota, isto não importa para a gente agora. É comemorar", completou o meia Tcheco.
Para o técnico Ney Franco, que chorou antes da partida ao ser homenageado pela diretoria do Coxa, a sua despedida não foi manchada pelo desempenho ruim em campo.
"A derrota não pode apagar o que fizemos na temporada, o que foi muito mais bonito do que este jogo", argumentou. "Estou saindo pela porta da frente, com muita transparência. Muito legal comemorar o acesso e o título aqui", complementou o agora técnico da seleção sub-20.



