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Dois técnicos "bichos do Paraná" vivem momentos distintos no encerramento do Campeonato Brasileiro. Um deles deixa a disputa numa boa, livrando com personalidade uma equipe do rebaixamento. O outro, bate a poeira e pensa na volta por cima comandando um clube que não conseguiu escapar da Segunda Divisão. São eles o iniciante Adílson Batista e o experiente Lori Sandri. Adílson alimentou ainda mais a fama de bombeiro com o salvamento do Figueirense, reforçando seu nome no acirrado mercado de treinadores. Por sua vez, Lori ainda assimila o golpe da queda do Atlético-MG, e se entrega na missão de retornar à elite no ano que vem.

Nascido em Adrianópolis, norte do Paraná, Adílson despontou para o futebol em 1987, quando foi promovido dos juniores para o profissional do Atlético por Levir Culpi. Zagueiro de boa técnica e muita disposição, fez história no Grêmio, sendo o capitão do título da Libertadores da América em 1995. Ao pendurar as chuteiras, optou por seguir no esporte, trocando a correria dentro das quatro linhas pelas instruções à margem do gramado.

Ainda novato (começou em 2001), acabou marcado por salvar três equipes da Segundona consecutivamente (Grêmio em 2003, Paysandu em 2004 e Figueirense neste ano). Mas renega a fama de bombeiro, aquele técnico contratado apenas quando as equipes estão à perigo. "Algumas pessoas levam por esse lado, acabam rotulando, mas não vejo assim". E lamenta que não tenha o reconhecimento devido em outros trabalhos. "Já fui campeão da Série C com o Mogi-Mirim, potiguar com o América de Natal, fiz ótima campanha com o Avaí", lembra, citando desempenhos que não repercutiram tanto.

Lori Paulo Sandri vive situação praticamente oposta. E não vem de agora. Nos últimos dois anos, passou por momentos conturbados. Em 2004, treinou Criciúma e Guarani, ambos rebaixados para a Segunda Divisão do Campeonato Nacional. Neste ano, quando estava muito bem no Paraná, pulou fora por uma boa proposta do futebol turco que acabou não se confirmando. Por fim, pegou o Galo dando os últimos suspiros, e acabou caindo junto.

Nascido em Encantado, Rio Grande do Sul, "virou" paranaense graças aos dez anos de carreira como atleta em times do Estado. E como treinador também começou por aqui. Para Lori, os recentes rebaixamentos não maculam sua carreira, muito pelo contrário. "Foram causas que eu abracei com coragem. Mostrando muita personalidade, algo que muitos não têm". Segundo o técnico, no Guarani não teve condições de desenvolver um trabalho, e no Criciúma, sabia que seria complicado, mas aceitou a empreitada pela forte amizade com alguns dirigentes. "Eu já subi com muitos times, tenho vários trabalhos de sucesso, não temo nada disso", pondera.

Retomadas

Adílson e Lori participaram decisivamente das reações de seus times nas últimas partidas deste Brasileirão. No caso do Figueira, Adilson assumiu na penúltima colocação e livrou o clube do fantasma uma rodada antes do final. Para isso, foi necessário um trabalho de "arrumação" da casa, atitude só possível com uma análise prévia. "Só aceito quando sinto que tem uma estrutura, bons jogadores, e está precisando apenas se organizar". Encontrou os requisitos no clube, e ainda contou com a ajuda importante de Edmundo, que voltou a praticar o futebol dos bons tempos de Palmeiras. "Ele sempre foi um jogador acima da média. Nos demos muito bem e o trabalho rendeu".

A reação do Galo não foi suficiente, mas empolgou a todos para a seqüência. Três partidas após sua contratação – 35.º rodada, derrota para o Palmeiras por 3 a 1, no Mineirão –, Lori Sandri resolveu trocar os "medalhões" pelos meninos das categorias de base. E a molecada mostrou serviço já no primeiro desafio, vencendo o Paysandu fora de casa por 2 a 0. "Tentei trabalhar com os jogadores de nome, mas senti que estavam desgastados. A direção me deu apoio e nós terminamos o campeonato com nove atletas dos juniores entre os titulares", exaltou.

Ano novo

Para a próxima temporada, o destino de Adílson Batista ainda é incerto. A prioridade é do Figueira, entretanto, propostas para sair já surgiram. "Um clube de São Paulo me procurou, mas não é nenhum dos grandes da capital", revelou, ressaltando que está muito bem em Santa Catarina. Fechando 2005 em alta, ele espera aproveitar o novo impulso na profissão, e sepultar o rótulo de técnico de ocasião. "Tenho certeza de que em breve serei entrevistado decidindo títulos importantes", profetizou.

Com Lori Sandri está tudo em ordem. De contrato assinado com o Atlético-MG até o final de 2006, o técnico já está pensando na disputa do Campeonato Mineiro e da Copa do Brasil no primeiro semestre. "Tenho certeza de que teremos um bom desempenho ano que vem, o Galo tem plenas condições de subir".

O motivo do otimismo, na opinião dele, está na estrutura do clube, no apoio da grande torcida e numa parceria recém-fechada com o empresário de jogadores Juan Figger. "Estamos trabalhando junto com ele. Será uma ajuda que vai render bons frutos".

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