
Cesar Cielo nadou os 50 m borboleta, bateu a mão na borda em primeiro, vibrou, desabou em lágrimas e arrancou aplausos do público. Era sua primeira medalha de ouro no Mundial de Xangai, ontem. Um desabafo após o encerramento de seu controverso caso de doping. A mais difícil fase de sua carreira. "Esta medalha tem um sentimento diferente, acho que foi a mais difícil que tive na vida", afirmou Cielo, de 24 anos.
"Tem sido uma fase dura, que não esperava de jeito nenhum para minha carreira. Tenho de lidar com isso. Sinto alívio por ter passado por isso e poder competir em alto nível. Foi um tempo de testar não só meu talento, mas também o quanto eu consigo aguentar e ainda ficar de pé."
Cielo provou na água que é capaz de deixar para trás o episódio. Nadou a final em 23s10 e superou os australianos Matthew Targett (23s28) e Geoff Huegill (23s35).
Seu caso de doping, entretanto, ainda é o principal assunto do Mundial na China. Técnicos e nadadores já manifestaram descontentamento com a pena de advertência dada ao brasileiro.
Ontem, o campeão mundial foi questionado sobre vaias vindas dos atletas e manifestação de descontentamento de um rival. Situação que, parece, não dará trégua tão cedo Cielo ainda nadará os 50 m e os 100 m livre.
O sul-africano Roland Schoeman, campeão olímpico e mundial, escreveu no Twitter, depois da final dos 50 m borboleta, que tirava o chapéu para Jason Dunford, sétimo colocado na prova. "Ele mostrou o sentimento de muitos nadadores." O queniano fez gesto com os polegares para baixo.
Questionado, Cielo disse considerar que Dunford mostrou estar insatisfeito com seu próprio resultado. Já Targett defendeu o amigo brasileiro. "Gestos como o de Dunford não fazem as coisas melhores", declarou.
Fred Bousquet, que também foi companheiro de Cielo nos Estados Unidos, seguiu a mesma linha. "Se cada um começar a colocar um ponto negativo, não sairemos desta", disse o francês, quarto colocado na prova de ontem.
Cielo e mais três brasileiros testaram positivo em antidoping em maio. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) lhes deu apenas uma advertência. A Federação Internacional de Natação (Fina) recorreu à Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) e pediu três meses de suspensão.
Em decisão tomada às vésperas do Mundial, a CAS manteve a pena mínima para Cielo e dois dos nadadores. O outro (Vinicius Waked), por ser reincidente, acabou suspenso por um ano.
No sábado, primeira vez em que falou após o fim do caso, Cielo disse ter deixado "a controvérsia para trás". Ontem, afirmou que virou a página do doping. "Tem sido um processo de aprendizado. Fiquei mais maduro, uma pessoa mais forte e um nadador mais experiente."
O próximo capítulo dessa nova história começa hoje, nos 100 m livre. Nas eliminatórias, testará de novo sua preparação para a competição na água e para lidar com as manifestações fora dela.




